Sonho da casa própria fica mais distante para jovens brasileiros em meio ao alto custo de vida

Nova geração enfrenta imóveis mais caros, juros elevados e dificuldade para formar patrimônio

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

Comprar uma casa própria, adquirir um carro e construir patrimônio sempre foram vistos como etapas tradicionais da vida adulta. Porém, para muitos jovens brasileiros, esses objetivos têm se tornado cada vez mais difíceis de alcançar diante do aumento do custo de vida, da valorização dos imóveis e das dificuldades para obter crédito.

Dados da PNAD Contínua mostram que 23,8% dos domicílios brasileiros são alugados, o equivalente a aproximadamente 18,9 milhões de imóveis, indicando uma mudança no perfil habitacional do país e a dificuldade de parte da população em conquistar a moradia própria.

O cenário tem provocado debates sobre a economia brasileira e sobre os desafios enfrentados pelas novas gerações para construir estabilidade financeira.

Jovens adiam planos e priorizam sobrevivência financeira

Entre brasileiros de 20 a 34 anos, muitos ainda dependem da ajuda familiar, permanecem morando com os pais ou dividem despesas para conseguir equilibrar o orçamento.

Em vez de concentrar esforços na compra de imóveis ou veículos, uma parcela dessa geração passou a priorizar o pagamento das contas, a redução de dívidas e a manutenção da renda mensal.

Especialistas apontam que fatores como salários crescendo em ritmo mais lento, preços elevados dos imóveis e financiamentos mais caros dificultam a entrada dos jovens no mercado imobiliário.

Pesquisa mostra percepção de dificuldade maior

Uma pesquisa da Ipsos, divulgada em 2025, revelou que 62% dos jovens brasileiros acreditam que conquistar a casa própria está mais difícil atualmente do que foi para gerações anteriores.

Entre os principais motivos apontados estão:

Alta dos preços dos imóveis;

• Juros elevados;

• Maior dificuldade para conseguir financiamento;

• Aumento das despesas do dia a dia.

Debate político sobre economia

A dificuldade de acesso a bens e patrimônio também passou a fazer parte do debate político brasileiro.

Críticos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmam que o aumento do custo de vida, a carga tributária e as dificuldades econômicas afetam principalmente os mais jovens, reduzindo a capacidade de poupança e investimento.

Mudança no sonho da nova geração

A realidade econômica tem levado muitos jovens a mudar a forma como enxergam o futuro. Enquanto gerações anteriores tinham como principais metas comprar uma casa e um carro, parte da juventude atual passou a priorizar estabilidade financeira, formação profissional e redução de gastos.

O desafio permanece: transformar renda em patrimônio em um cenário marcado por preços elevados e maior custo para financiar grandes conquistas.

Para especialistas, a capacidade de aquisição de bens dependerá de fatores como crescimento econômico, aumento da renda, controle da inflação e melhores condições de crédito.

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