Autoridades investigam avanço da ciclosporíase, doença causada pelo parasita Cyclospora; Michigan registra o maior surto de sua história e especialistas ainda buscam identificar a fonte da contaminação
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
As autoridades de saúde dos Estados Unidos investigam um dos maiores surtos de ciclosporíase dos últimos anos após o número de pessoas infectadas ultrapassar a marca de mil casos. A doença, causada pelo parasita microscópico Cyclospora cayetanensis, provoca principalmente diarreia intensa e prolongada e já levou dezenas de pacientes à hospitalização. O estado de Michigan concentra a maior parte dos registros, enquanto investigações se estendem por outros estados em busca da origem da contaminação, que ainda permanece desconhecida.
Surto histórico preocupa autoridades sanitárias
O estado de Michigan confirmou 992 casos de ciclosporíase até 8 de julho, número que representa o maior surto já registrado na história do estado. Aproximadamente 40 pessoas precisaram ser hospitalizadas, embora nenhuma morte tenha sido registrada.
Além de Michigan, o estado vizinho de Ohio também enfrenta aumento expressivo de infecções. Somente o Condado de Lucas contabilizou 306 casos, enquanto o noroeste de Ohio já soma mais de 500 registros.
Ao todo, autoridades federais acompanham investigações relacionadas à doença em 28 estados americanos.
Segundo a diretora executiva médica de Michigan, Natasha Bagdasarian, há fortes indícios de que os casos estejam ligados por uma mesma fonte de contaminação.
“Há claramente um surto interligado acontecendo neste momento”, afirmou à Associated Press.
O que é a Cyclospora?
A Cyclospora cayetanensis é um parasita microscópico que infecta o intestino humano e causa a doença conhecida como ciclosporíase.
Os principais sintomas incluem:
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diarreia aquosa intensa;
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evacuações frequentes;
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dores abdominais;
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náuseas;
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perda de apetite;
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fadiga;
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perda de peso.
Sem tratamento, os sintomas podem persistir por semanas ou até meses.
Embora normalmente não seja uma doença fatal, a infecção pode causar desidratação significativa, especialmente em crianças, idosos e pessoas com imunidade comprometida.
Como ocorre a transmissão
O parasita é eliminado nas fezes de pessoas infectadas e costuma contaminar alimentos por meio de água de irrigação ou manipulação inadequada.
Historicamente, surtos foram associados ao consumo de alimentos frescos, como:
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alface;
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coentro;
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manjericão;
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frutas vermelhas;
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outras hortaliças consumidas cruas.
Até o momento, as autoridades ainda não identificaram qual alimento está relacionado ao atual surto.
Investigações são complexas
Especialistas explicam que identificar a origem da Cyclospora costuma ser um processo demorado.
Entre os fatores que dificultam a investigação estão:
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o longo período entre a infecção e o aparecimento dos sintomas;
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a dificuldade de cultivar o parasita em laboratório;
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a possibilidade de um mesmo ingrediente estar presente em diversos alimentos vendidos em diferentes locais.
Segundo pesquisadores, muitos casos também deixam de ser diagnosticados porque exames laboratoriais convencionais nem sempre detectam o parasita.
Casos vêm aumentando na última década
Embora a ciclosporíase seja menos comum do que infecções por Salmonella ou Escherichia coli (E. coli), especialistas observam crescimento gradual dos casos nos Estados Unidos nos últimos anos.
Os maiores surtos registrados anteriormente incluem:
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1997: mais de mil pessoas infectadas nos Estados Unidos e Canadá após consumo de framboesas importadas da Guatemala;
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2019: cerca de 2,4 mil casos relacionados ao consumo de manjericão importado do México.
Pesquisadores apontam que fatores como mudanças climáticas, maior circulação internacional de alimentos e melhoria nos métodos de diagnóstico podem explicar parte desse aumento.
Como reduzir o risco de infecção
Enquanto a origem do atual surto não é identificada, autoridades de saúde recomendam alguns cuidados:
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lavar cuidadosamente frutas e verduras;
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retirar as folhas externas da alface antes do consumo;
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dar preferência a hortaliças inteiras em vez de saladas prontas embaladas;
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cozinhar vegetais sempre que possível;
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utilizar água potável para higienização dos alimentos.
O CDC orienta que pessoas com diarreia persistente procurem atendimento médico, pois a doença pode ser tratada com antibióticos específicos quando diagnosticada corretamente.
Situação segue sob monitoramento
As autoridades de saúde norte-americanas ressaltam que, apesar do rápido aumento de casos, não há indicação de emergência nacional de saúde pública nem evidências de que o parasita tenha se tornado mais transmissível.
As investigações continuam para identificar o alimento responsável pelo surto e interromper a cadeia de transmissão, enquanto estados reforçam a vigilância epidemiológica e orientam consumidores sobre medidas de prevenção.
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