Ministério da Saúde incorpora a edaravona à rede pública para retardar a progressão da doença e ampliar as opções terapêuticas
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
Pacientes com esclerose lateral amiotrófica (ELA) em estágio inicial passarão a contar com uma nova opção de tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde oficializou a incorporação da edaravona à rede pública, ampliando o acesso a terapias voltadas para retardar a evolução da doença neurodegenerativa.
A decisão foi publicada nesta terça-feira (21) no Diário Oficial da União (DOU). De acordo com a portaria, o Ministério da Saúde terá até 180 dias para disponibilizar o medicamento nos serviços públicos de saúde em todo o país.
Quem poderá receber o novo tratamento
A edaravona será destinada a pacientes adultos diagnosticados com ELA em estágios iniciais (graus 1 e 2), desde que o tempo de evolução da doença seja de até dois anos.
Segundo o Ministério da Saúde, a incorporação do medicamento representa um avanço importante na assistência aos pacientes, oferecendo uma alternativa adicional ao tratamento atualmente disponível pelo SUS.
O que é a ELA
A esclerose lateral amiotrófica (ELA) é uma doença neurológica degenerativa que afeta os neurônios motores, responsáveis pelo controle dos movimentos voluntários do corpo.
Com a progressão da doença, ocorre perda gradual da força muscular, comprometendo funções como caminhar, movimentar os braços, falar, engolir alimentos e respirar.
Embora ainda não exista cura, os tratamentos disponíveis buscam retardar a evolução da doença, aliviar sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
Diagnóstico ainda é um desafio
O diagnóstico da ELA costuma ser complexo porque não existe um exame laboratorial específico capaz de confirmar a doença.
Em muitos casos, são necessários diversos exames para descartar outras condições neurológicas antes da confirmação do diagnóstico, processo que pode levar, em média, 11 meses.
Principais sintomas
Os primeiros sinais da ELA costumam surgir de forma discreta, o que pode atrasar a identificação da doença.
Entre os sintomas mais comuns estão:
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fraqueza muscular;
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perda do controle dos movimentos das mãos;
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atrofia muscular, principalmente nas pernas;
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dificuldade para falar;
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dificuldade para engolir alimentos ou saliva;
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problemas respiratórios.
Nas fases iniciais, as funções cognitivas e os sentidos geralmente permanecem preservados.
Como funciona a edaravona
A edaravona atua reduzindo os danos provocados pelo estresse oxidativo nas células nervosas, mecanismo que contribui para a degeneração dos neurônios motores.
Embora não reverta a doença nem represente uma cura, o medicamento pode retardar sua progressão quando administrado nas fases iniciais.
Estudos científicos apontam que o tratamento pode contribuir para prolongar a sobrevida e preservar a capacidade funcional dos pacientes por mais tempo.
Estudo aponta benefício na sobrevida
Segundo pesquisa publicada em 2022 na revista científica The Lancet, a edaravona foi associada ao aumento de aproximadamente seis meses na sobrevida de pacientes com ELA.
O estudo também observou redução do risco de morte entre os pacientes que receberam o medicamento, reforçando seu potencial benefício quando iniciado precocemente.
Tratamentos disponíveis no SUS
Até a publicação da nova portaria, o riluzol era o único medicamento específico disponibilizado pelo SUS para pacientes com ELA.
O remédio ajuda a retardar a progressão da doença e pode aumentar a sobrevida por alguns meses.
Com a incorporação da edaravona, o sistema público passa a oferecer uma segunda opção terapêutica voltada especialmente aos pacientes diagnosticados nas fases iniciais da enfermidade.
Doença rara e sem cura
A ELA é considerada uma doença rara e acomete principalmente pessoas entre 50 e 70 anos, embora também possa ocorrer em indivíduos mais jovens.
Especialistas estimam que apenas cerca de 10% dos casos tenham origem genética. Nos demais, as causas ainda não são totalmente conhecidas.
A ampliação do acesso a tratamentos pelo SUS é vista por especialistas como um passo importante para oferecer mais qualidade de vida aos pacientes, enquanto pesquisas continuam buscando terapias mais eficazes e, futuramente, uma cura para a doença.
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