Câmara Americana de Comércio no Brasil afirma que a reciprocidade pode elevar custos e prejudicar investimentos
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
A Câmara Americana de Comércio no Brasil (Amcham Brasil) voltou a defender a negociação diplomática com os Estados Unidos como principal caminho para tentar reduzir ou reverter as tarifas impostas pelo governo do presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros.
A entidade também se posicionou contra uma eventual aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica pelo Brasil. Segundo a Amcham, uma resposta tarifária poderia aumentar os custos para empresas e consumidores, afetar cadeias produtivas e investimentos e dificultar ainda mais as negociações entre os dois países.
A manifestação ocorreu após o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciar, na quinta-feira (13), o processo formal para avaliar possíveis medidas contra os Estados Unidos. A abertura do procedimento, porém, não representa uma retaliação imediata. O governo ainda precisa analisar os impactos econômicos e jurídicos antes de decidir se adotará contramedidas.
Empresas preferem negociação
Uma pesquisa citada pela Amcham mostra forte preferência do setor empresarial pela via diplomática. 90,5% das empresas defendem a intensificação do diálogo e das negociações com Washington, enquanto apenas 3,2% são favoráveis à adoção de medidas de reciprocidade.
Para a entidade, o objetivo deve ser reduzir as sobretaxas atualmente em vigor, evitar novas restrições e preservar o comércio e os investimentos entre Brasil e Estados Unidos.
A posição acompanha manifestações anteriores de entidades empresariais, que também alertaram para os riscos de uma escalada comercial. A avaliação é de que uma retaliação brasileira poderia atingir empresas que dependem de produtos, máquinas e insumos americanos, além de aumentar a pressão sobre os preços.
Exportações brasileiras já sentem impacto
O cenário comercial já apresenta efeitos. Segundo levantamento da própria Amcham, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 12,2% entre janeiro e julho de 2026, chegando a US$ 21 bilhões, o menor valor para o período em três anos.
Nos produtos que passaram a sofrer sobretaxas mais elevadas, entre 25% e 37,5%, a queda das exportações chegou a 31,5%. A perda nesses segmentos foi estimada em US$ 1,4 bilhão.
Os Estados Unidos continuam sendo um dos principais mercados para produtos brasileiros, o que aumenta a preocupação do setor privado com uma possível ampliação da disputa comercial.
O que pode acontecer agora
O processo aberto pelo governo brasileiro ainda está em fase inicial. A Lei da Reciprocidade Econômica permite que o país adote medidas como restrições a importações, tarifas e suspensão de determinadas concessões comerciais ou de investimentos, desde que respeitados os critérios previstos na legislação.
Antes de uma eventual contramedida, entretanto, estão previstas análises técnicas e consultas diplomáticas. O próprio governo afirma que pretende avaliar os impactos e esgotar as possibilidades de negociação antes de uma decisão definitiva.
A Amcham defende justamente que esse espaço seja preservado. Para a entidade, uma escalada de tarifas entre Brasília e Washington poderia transformar uma disputa comercial em um problema mais amplo para empresas, consumidores e investimentos dos dois países.
Enquanto o governo Lula avalia a possibilidade de reciprocidade, o setor empresarial pressiona por uma solução negociada. A disputa coloca Brasil e Estados Unidos diante de uma escolha delicada: buscar um acordo para reduzir as barreiras comerciais ou avançar para medidas de retaliação que podem aumentar os custos e aprofundar o conflito econômico.
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