TSE nega invasão hacker e aponta uso indevido de credenciais da legenda; investigação apura se dirigente realizou o procedimento ou se terceiros utilizaram seu acesso
Por Gilvania Alves|GNEWSUSA
O caso envolvendo a filiação de Flávio Bolsonaro ao partido Missão avançou com a identificação de um dirigente da legenda nos registros relacionados à operação. Autoridades comunicaram ao Partido Liberal (PL) que o dirigente está associado ao acesso utilizado para inserir o senador no cadastro do Missão. As informações sobre o acesso, incluindo local, horário e registros da operação, foram encaminhadas às autoridades responsáveis pela apuração.
A identificação, contudo, ainda não encerra a investigação. O principal ponto a ser esclarecido é se o próprio dirigente realizou o procedimento ou se outra pessoa utilizou suas credenciais para efetivar a filiação. A análise dos registros digitais deverá ajudar a estabelecer quem operou efetivamente o sistema.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que a alteração não ocorreu por meio de uma invasão hacker ao sistema da Justiça Eleitoral. De acordo com a Corte, a ferramenta utilizada para registrar filiações foi acessada de maneira indevida por alguém que possuía credenciais da legenda.
“O Tribunal Superior Eleitoral informa que a filiação de Flávio Bolsonaro ao partido Missão não foi fruto de hackeamento do sistema de filiação partidária, mas sim de uso indevido da ferramenta por parte de alguém que possuía as credenciais da legenda para efetivar filiações”, escreveu em nota.
O episódio levou o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, a encaminhar o caso para as instituições responsáveis pela investigação. A Procuradoria-Geral Eleitoral recebeu uma representação, enquanto foi determinada a instauração de inquérito pela Polícia Judiciária.
“O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, enviou uma representação à Procuradoria Geral Eleitoral para providências e determinou instauração de inquérito por parte da Polícia Judiciária”, disse em nota.
A investigação também considera a possibilidade de enquadramento da conduta no artigo 313-A do Código Penal, que trata da inserção de dados falsos em sistema de informações. A previsão para o crime é de reclusão de dois a 12 anos, além de multa.
A alteração ocorreu às 23h17 de 12 de agosto. Na ocasião, Flávio Bolsonaro passou a constar no cadastro eleitoral como filiado ao Missão e deixou de aparecer como integrante do PL. A mudança foi percebida durante os procedimentos relacionados ao registro de sua candidatura à Presidência da República.
O partido Missão nega ter promovido voluntariamente a filiação e afirma que também foi vítima do episódio. A legenda sustenta que seu sistema identificou a tentativa e que houve uma tentativa de cancelar o registro no mesmo dia.
Segundo o Missão, o gabinete de Flávio Bolsonaro já havia sido comunicado sobre a tentativa de filiação antes da alteração registrada no sistema eleitoral.
“O gabinete de Flávio foi informado dessa tentativa de filiação desde o dia 2 deste mês. Consta em nosso sistema que os e-mails enviados foram abertos, mas não foram respondidos.”
A legenda afirma que pretende fornecer às autoridades os registros técnicos relacionados ao procedimento, incluindo informações que possam ajudar a identificar a origem dos acessos.
“Já está adotando todas as providências cabíveis junto à Polícia Federal e ao TSE, a fim de que os responsáveis pelo crime e pela fraude sejam identificados e exemplarmente punidos. Um relatório com todos os logs, e-mails e IPs será disponibilizado para a imprensa e autoridades.”
O Missão também declarou que não tinha interesse na entrada de Flávio Bolsonaro em seus quadros e fez críticas ao senador.
“Não é de nosso interesse acolher em seus quadros um parlamentar que, para além do desalinhamento ideológico, figura em acusações e suspeitas de envolvimento em esquemas de corrupção.”
O partido também informou que o procedimento teria envolvido o e-mail institucional de Flávio Bolsonaro e que foram identificadas divergências nos dados registrados durante o processo. Essas informações deverão ser confrontadas com os registros técnicos obtidos pelas autoridades.
Após a controvérsia, a filiação de Flávio Bolsonaro ao Missão foi retirada do cadastro eleitoral e seu vínculo com o PL foi restabelecido. A regularização permitiu a continuidade dos procedimentos relacionados à candidatura do senador pela legenda.
Com a identificação do dirigente, a investigação agora concentra-se na dinâmica do acesso utilizado na operação. As autoridades deverão determinar se o dirigente realizou diretamente a filiação ou se suas credenciais foram utilizadas por terceiros, além de esclarecer as circunstâncias e a finalidade da alteração feita no cadastro eleitoral.
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