Gigante dos pisos fecha 219 lojas após colapso e deixa quase 1.600 trabalhadores

Carpetright não resiste à crise e perde a maior parte da rede após resgate que preservou apenas 54 unidades

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

Uma das tradicionais redes britânicas do setor de pisos não conseguiu sobreviver à deterioração do mercado e acabou entrando em administração no Reino Unido. A Carpetright, empresa especializada em carpetes, pisos e camas, teve sua estrutura reduzida drasticamente após um acordo que preservou apenas uma pequena parte da operação.

Antes do colapso, a companhia mantinha 273 lojas e 1.898 funcionários no Reino Unido e na República da Irlanda. Em julho de 2024, administradores da PwC assumiram o controle da empresa e concluíram, no mesmo dia, uma venda parcial para a concorrente Tapi Carpets & Floors.

O acordo preservou 54 lojas e dois centros de distribuição, além de transferir 308 funcionários para a nova operação. As outras 219 lojas ficaram fora da transação, provocando a perda de quase 1.600 postos de trabalho.

Queda no consumo atingiu diretamente a empresa

A crise da Carpetright ocorreu em um momento de enfraquecimento dos gastos dos consumidores britânicos com reformas e produtos para a casa.

A empresa dependia de um mercado em que os clientes precisam estar dispostos a realizar compras de maior valor. Carpetes, pisos e outros itens para residências normalmente estão associados a reformas, mudanças de imóvel e investimentos na casa.

Com a redução da confiança do consumidor e um mercado imobiliário mais fraco, a demanda diminuiu. O cenário tornou ainda mais difícil para a companhia sustentar uma estrutura com centenas de lojas e milhares de funcionários.

A pressão sobre o negócio aumentou justamente porque a Carpetright carregava uma operação de grande porte. Quando as vendas diminuem, despesas como aluguel, salários, logística e manutenção das lojas continuam existindo.

Ataque cibernético agravou a situação

Além dos problemas econômicos, a empresa também sofreu um ataque cibernético em abril de 2024.

O episódio prejudicou o funcionamento normal da companhia durante parte de um período importante para as vendas. A interrupção afetou a capacidade de negociação da empresa e aumentou a pressão sobre uma operação que já enfrentava dificuldades financeiras.

Segundo os administradores, a combinação dos problemas enfrentados pela companhia tornou inviável a continuidade da estrutura existente.

De 273 lojas, apenas 54 foram preservadas

A dimensão do colapso fica evidente quando os números são comparados.

A Carpetright tinha 273 lojas antes de entrar em administração. A Tapi assumiu somente 54 unidades, o equivalente a uma parcela minoritária da antiga rede.

Com isso, 219 lojas ficaram fora do acordo e acabaram sendo fechadas.

A operação também incluiu dois centros logísticos e permitiu que parte dos funcionários continuasse trabalhando sob o novo proprietário.

A marca Carpetright também foi preservada por meio do acordo envolvendo a Tapi. Assim, apesar do fim da antiga estrutura empresarial, o nome comercial não desapareceu completamente.

Quase 1.600 trabalhadores ficaram pelo caminho

A companhia tinha 1.898 funcionários quando entrou em administração.

Como apenas 308 foram transferidos para a operação adquirida pela Tapi, aproximadamente 1.590 trabalhadores ficaram fora do negócio preservado.

A primeira rodada de cortes foi ainda mais imediata: a PwC anunciou 1.018 demissões no momento em que os administradores foram nomeados.

Parte dos funcionários permaneceu temporariamente na empresa para auxiliar nos trabalhos relacionados ao encerramento da operação. Por isso, o número total de trabalhadores afetados acabou sendo superior ao registrado inicialmente.

O impacto atingiu funcionários das lojas, equipes responsáveis por serviços residenciais e trabalhadores ligados às estruturas administrativas e de apoio.

A marca sobreviveu, mas a antiga empresa não

O caso da Carpetright mostra a diferença entre preservar uma marca e preservar uma empresa.

A operação anterior, com centenas de lojas espalhadas pelo Reino Unido e quase 1.900 trabalhadores, deixou de existir em sua antiga configuração.

Por outro lado, a Tapi conseguiu adquirir parte dos ativos e manter a marca Carpetright. Dessa maneira, o nome continuou disponível comercialmente, mas sob uma estrutura muito menor e com um novo proprietário.

Na prática, o resgate salvou apenas uma parte do negócio.

O que levou a Carpetright ao colapso?

O fechamento das lojas não ocorreu por uma única razão. A crise foi resultado de uma combinação de fatores.

Primeiro, houve uma queda nos gastos dos consumidores com reformas residenciais. Em um período de menor confiança econômica, famílias tendem a adiar despesas consideradas não essenciais.

Segundo, o mercado imobiliário mais fraco prejudicou a demanda. Mudanças de residência e transações imobiliárias costumam movimentar gastos com pisos, carpetes e outros produtos para a casa.

Terceiro, a estrutura da empresa era muito grande para um cenário de vendas enfraquecidas. Manter 273 lojas e quase 1.900 trabalhadores exige custos elevados. Com menos vendas, a capacidade de sustentar essa estrutura diminui.

Quarto, o ataque cibernético sofrido em abril de 2024 agravou a situação. A interrupção das operações dificultou o funcionamento normal da empresa justamente quando ela já enfrentava dificuldades.

O resultado foi uma combinação de queda na demanda, pressão financeira, custos elevados e problemas operacionais, que acabou levando a empresa à administração.

Um dos maiores cortes da história recente da rede

O episódio representou uma mudança radical para uma companhia que havia construído uma presença relevante no mercado britânico desde sua fundação, em 1988.

A Carpetright passou de uma rede com 273 lojas e 1.898 funcionários para uma operação muito menor, depois que a Tapi adquiriu apenas parte dos ativos.

Dos 273 estabelecimentos existentes antes da administração, 219 ficaram fora do acordo.

A crise também deixou uma marca profunda no mercado de trabalho: aproximadamente 1.590 funcionários não foram absorvidos pela nova operação.

O caso evidencia como uma deterioração prolongada no consumo pode atingir empresas tradicionais, especialmente aquelas que dependem de grandes estruturas físicas e de consumidores dispostos a realizar compras de maior valor.

A Carpetright conseguiu manter seu nome no mercado, mas o colapso encerrou a antiga estrutura da companhia e reduziu drasticamente o tamanho da operação.

Leia mais

Larva que se alimenta de tecido vivo avança no México e acende alerta para saúde humana e animal

Imigrante acusado de matar namorada de 19 anos nos EUA é preso na Europa após fugir do país

Lula apresenta 88 certidões criminais ao TSE ao registrar candidatura à reeleição

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*