Estados Unidos revogam visto da embaixadora do Brasil em meio ao agravamento da crise diplomática

Decisão anunciada pelo Departamento de Estado ocorre após divergências sobre credenciamento diplomático e negativa de vistos a representantes americanos
Por Gilvania Alves|GNEWSUSA

A relação diplomática entre Brasil e Estados Unidos registrou um novo episódio de tensão na terça-feira (4), quando o governo americano revogou o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A medida foi apresentada como resposta às dificuldades enfrentadas pelos Estados Unidos para nomear seu novo representante diplomático em Brasília.

De acordo com o Departamento de Estado, a decisão foi adotada após semanas de negociações sem avanço sobre o credenciamento do indicado pelo presidente Donald Trump para a embaixada americana no Brasil. Washington também cita a negativa de vistos a diplomatas americanos como parte do impasse entre os dois países.

“Mantivemos comunicação constante com o governo brasileiro durante semanas e demos ao governo brasileiro todas as oportunidades para fazer a coisa certa, mas eles continuaram a protelar e a obscurecer a situação”, declarou um porta-voz do Departamento de Estado à imprensa americana.

Segundo o governo americano, a medida tem caráter recíproco e poderá ser revertida caso o Brasil aprove o agrément de Danny Perez, ex-presidente da Câmara da Flórida, escolhido por Trump para assumir a embaixada dos Estados Unidos em Brasília.

“Esta é uma ação recíproca”, confirmou o porta-voz, acrescentando que outras medidas diplomáticas poderão ser adotadas caso o Brasil continue a atrasar ou recusar a aprovação de Perez.

Apesar da revogação do visto, a embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti não foi declarada persona non grata nem será obrigada a deixar os Estados Unidos. Entretanto, caso saia do país, precisará solicitar um novo visto para retornar às suas funções diplomáticas. Segundo informações, a situação poderá ser normalizada caso o governo brasileiro conceda autorização ao indicado americano.

O centro da disputa envolve o processo de agrément, autorização prévia exigida para que um país aceite oficialmente o embaixador indicado por outra nação. Conforme Washington, autoridades brasileiras teriam sinalizado que a aprovação de Danny Perez ocorreria apenas após as eleições presidenciais brasileiras, marcadas para 4 de outubro, atraso apontado pelos Estados Unidos como um dos principais motivos para a revogação do visto da representante brasileira.

O episódio ocorre poucas semanas depois de o governo brasileiro negar vistos de entrada a Riley Barnes, subsecretário de Estado para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, e a um de seus principais assessores. Segundo o Departamento de Estado, a missão trataria de temas relacionados à integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão, rejeitando a interpretação de que a visita teria como objetivo criticar o governo brasileiro ou o processo eleitoral.

A medida se soma a outros pontos de atrito que vêm marcando a relação entre os dois países. Nos últimos meses, o governo Trump impôs tarifas de até 37,5% sobre produtos brasileiros e classificou facções criminosas do Brasil como organizações terroristas estrangeiras. Em meio a esse clima de tensão, Brasília avalia haver interferência em assuntos internos do país, enquanto Washington entende que o governo brasileiro tem criado obstáculos ao andamento normal das relações diplomáticas.

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