Fim da proteção migratória coloca imigração haitiana em alerta na Flórida

Encerramento do TPS pode afetar cerca de 93 mil trabalhadores haitianos no estado, com impactos em setores como saúde, hotelaria, agricultura e logística

Por Chico Gomes | GNEWSUSA 

A Flórida começa a sentir os efeitos do encerramento do Status de Proteção Temporária (TPS) concedido a cidadãos haitianos. O estado concentra a maior comunidade de haitianos beneficiários do programa nos Estados Unidos, com aproximadamente 93 mil pessoas integrando a força de trabalho local.

O TPS é um mecanismo que permite a cidadãos de determinados países permanecerem legalmente nos Estados Unidos por um período determinado quando as condições em seus países de origem são consideradas incompatíveis com um retorno seguro. No caso do Haiti, a proteção foi encerrada em 27 de julho de 2026. 

Na Flórida, os trabalhadores haitianos estão presentes em áreas consideradas importantes para a economia, incluindo saúde, cuidados domiciliares, hotelaria, agricultura, segurança e logística. Segundo dados citados por organizações que acompanham a comunidade haitiana, essa força de trabalho também possui peso significativo na economia do sul do estado.

Na região de Miami, por exemplo, os trabalhadores haitianos movimentavam aproximadamente US$ 1,5 bilhão por ano, de acordo com os dados apresentados na reportagem.

O setor de cuidados de saúde já registra mudanças provocadas pela saída de profissionais que dependiam do TPS para trabalhar. Duas agências de atendimento domiciliar em Broward e MiamiDade encerraram suas atividades depois de perderem mais de 80 funcionários haitianos cada uma, segundo informações da Home Care Association of Florida.

Hospitais da região também registraram redução no número de funcionários haitianos. O Jackson Health System perdeu cerca de 50 trabalhadores, enquanto o Memorial Healthcare registrou a saída de 27 profissionais, segundo os dados divulgados na reportagem.

A situação chama atenção especialmente em setores que dependem de uma grande quantidade de trabalhadores, como assistência a idosos, hotelaria e serviços. Empresários e representantes dessas áreas acompanham os próximos desdobramentos enquanto trabalhadores avaliam suas possibilidades dentro das regras migratórias vigentes.

O fim do TPS também afeta a comunidade haitiana em outros estados americanos. Ao todo, aproximadamente 350 mil haitianos que estavam protegidos pelo programa perderam essa condição migratória após o encerramento da proteção.

Enquanto o cenário se adapta às novas regras, a Flórida enfrenta o desafio de reorganizar parte de sua força de trabalho em setores que já dependem fortemente da mão de obra imigrante. Para a comunidade haitiana, o momento também representa uma fase de decisões sobre permanência, trabalho e alternativas migratórias disponíveis.

A mudança ocorre em um momento de grande atenção internacional à situação do Haiti, que enfrenta uma grave crise de segurança e instabilidade. Por isso, o impacto do fim do TPS ultrapassa a questão trabalhista e envolve também famílias e comunidades que construíram suas vidas nos Estados Unidos ao longo dos últimos anos.

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