Grupo Gennius, dono do Habib’s, entra em recuperação judicial com dívida de R$ 265,2 milhões

Crise atinge uma das maiores redes de alimentação do país em meio a juros elevados e crédito caro no governo Lula

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

O Grupo Gennius, controlador das marcas Habib’s, Ragazzo e Tendall, entrou em recuperação judicial com uma dívida declarada de R$ 265,2 milhões. O pedido foi aceito pela Justiça de São Paulo, colocando uma das redes mais conhecidas do setor de alimentação brasileiro diante de uma grave crise financeira.

A decisão ocorre durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em um cenário marcado por juros elevados, crédito caro e pressão sobre empresas endividadas.

Apesar da crise, as unidades continuam funcionando normalmente. O objetivo da recuperação judicial é reorganizar as dívidas, negociar com os credores e preservar as atividades do grupo.

Juros altos aumentam pressão sobre empresas

Um dos pontos mais preocupantes do cenário atual é o custo do crédito.

A Selic chegou a 15% ao ano e, mesmo após uma redução, permanece em 14%, mantendo o dinheiro caro para empresas e consumidores.

Para companhias endividadas, juros elevados significam maior custo para renovar empréstimos, rolar dívidas e manter capital de giro.

O próprio Grupo Gennius aponta a elevação dos juros como um dos fatores que pressionaram suas finanças.

O resultado é um ambiente mais difícil para quem precisa de crédito para investir, expandir, manter empregos e continuar operando.

Crise acontece em um cenário diferente da pandemia

O momento atual chama atenção porque as empresas já não enfrentam as restrições de funcionamento e circulação que marcaram a pandemia.

As lojas estão abertas e o consumidor voltou às ruas. Mesmo assim, o Grupo Gennius chegou a uma dívida de R$ 265,2 milhões e precisou recorrer à Justiça para reorganizar suas finanças.

Além dos juros, a empresa aponta mudanças nos hábitos de consumo e o avanço do delivery como fatores que afetaram seus negócios.

Grupo reúne 178 empresas

A recuperação judicial envolve uma estrutura empresarial de grande porte.

São 178 empresas e entidades, incluindo 119 lojas Habib’s, 26 unidades Ragazzo e seis churrascarias Tendall, além de franqueadoras, holdings e empresas operacionais.

A crise, portanto, não está concentrada em uma única unidade, mas atinge diferentes empresas ligadas ao conglomerado.

O que acontece agora

O Grupo Gennius terá 60 dias para apresentar seu plano de recuperação judicial.

A KPMG Corporate Finance foi nomeada administradora judicial e terá 15 dias para apresentar um relatório sobre as empresas envolvidas.

Os credores poderão contestar valores, apresentar objeções e participar das decisões sobre o plano de recuperação.

A Justiça também suspendeu determinadas ações e execuções contra as empresas abrangidas pelo processo, conforme as regras previstas em lei.

Um novo alerta para a economia brasileira

A recuperação judicial do Grupo Gennius acontece em pleno terceiro mandato de Lula, em um momento de juros elevados e crédito caro, enquanto empresas enfrentam dificuldades para administrar seus compromissos financeiros.

O episódio reacende uma discussão política importante: até que ponto o atual cenário econômico está dificultando a vida de empresas brasileiras que precisam investir, produzir e manter suas operações?

O Habib’s atravessou décadas e diferentes governos. Agora, seu grupo controlador chega à Justiça com uma dívida de R$ 265,2 milhões.

A marca, porém, continua funcionando normalmente.

O desafio agora será reorganizar as finanças, negociar com os credores e demonstrar que existe um caminho sustentável para manter o grupo de pé.

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