Tarifas de 50 % sobre produtos canadenses entram em vigor após fracasso das negociações; Ottawa anuncia retaliação a partir de 8 de setembro
Por Gilvania Alves|GNEWSUSA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu impor tarifas de 50 % sobre determinados produtos vindos do Canadá depois que conversas comerciais entre os dois países não chegaram a um consenso. A medida entrou em vigor no sábado (22 de agosto), atingindo aproximadamente US$ 20 bilhões em mercadorias. Em resposta, o governo canadense anunciou que aplicará medidas equivalentes a partir de 8 de setembro, num cenário que ambos reconhecem como escalada nas relações comerciais bilaterais.
As tratativas foram encerradas sem acordo. Segundo o governo americano, as propostas apresentadas não avançaram o suficiente para corrigir desequilíbrios e garantir condições mais justas e favoráveis aos Estados Unidos — motivo que levou Washington a adotar as tarifas. Já para as autoridades canadenses, os pedidos feitos pelos Estados Unidos estavam acima do que consideram razoável aceitar. Com o impasse, cada lado seguiu adotando medidas em defesa de suas próprias posições.
No domingo (23), o secretário de Transportes dos Estados Unidos, Sean Duffy, comentou sobre os rumos da disputa: avaliou que uma guerra comercial seria “devastadora” também para o Canadá e que, por depender fortemente do mercado americano, o país sairia em desvantagem caso a disputa se prolongue. Trata‑se, segundo Washington, de uma realidade econômica reconhecida por dados — os Estados Unidos recebem cerca de 70 % de tudo que o Canadá exporta — e algo que demonstra a importância de se chegar rapidamente a regras benéficas aos dois lados.
Trump, por sua vez, explicou publicamente os motivos da posição americana. Disse que, há anos, produtores e agricultores norte‑americanos pagam “quantias massivas” em taxas e barreiras ao venderem para o Canadá, enquanto regras atuais permitem vantagens ao seu parceiro sem reciprocidade. Na Truth Social, completou: “o Canadá quer os benefícios de ser um Estado norte‑americano, sem ser um”.
O que está por trás da disputa comercial?
Estados Unidos e Canadá mantêm uma das relações econômicas mais fortes e integradas do planeta — compartilhando cadeias produtivas, fluxos constantes de mercadorias, energia, serviços e investimentos. É justamente essa proximidade que torna qualquer mudança capaz de atingir ambos os lados.
As novas tarifas recaem sobre produtos que somam cerca de US$ 20 bilhões: vinho, laticínios, materiais de construção, vestuário e artigos esportivos, entre outros. Elas se somam a tarifas já vigentes sobre aço, alumínio, automóveis e madeira — setores que vinham sendo reavaliados há tempos. A postura adotada por Washington segue a estratégia de usar tarifas como forma de demonstrar que as regras atuais precisam ser atualizadas e tornar mais vantajoso chegar a um novo acordo.
Canadá prepara resposta firme
O primeiro‑ministro Mark Carney apresentou a posição de seu governo: o Canadá aplicará tarifas equivalentes sobre produtos vindos dos Estados Unidos — incluindo aço, alimentos, eletrodomésticos e eletrônicos — a partir de 8 de setembro. “Responderemos dólar por dólar”, prometeu. “Pediram demais e ofereceram de menos — e somos atacados sem justificativa”, declarou ao Parlamento. “Você entra numa guerra quando é atacado — e nós fomos atacados”, completou.
É importante destacar que “guerra comercial” significa apenas que países usam tarifas, cotas e regras como forma de barganha econômica — sem envolver conflito militar. O risco real citado por economistas é que, se durar muito tempo, a disputa pode encarecer produtos e prejudicar empresas e famílias nos dois países igualmente.
Acordo comercial norte‑americano também em debate
Paralelamente, Canadá e México pediram a renovação antecipada do USMCA — tratado que organiza todo esse comércio e movimenta cerca de US$ 1,6 trilhão por ano — mantendo‑o válido por mais 16 anos nos termos atuais. Os Estados Unidos, porém, entenderam que chegou a hora de revisar pontos desse acordo e atualizar regras que consideram desatualizadas, razão pela qual não aceitaram simplesmente renovar como estava. Agora, sem consenso, aumenta a incerteza sobre como funcionará o comércio entre os três países a médio prazo.
O que vem pela frente
Neste momento: Estados Unidos mantêm tarifas aplicadas; Canadá está finalizando a lista de produtos que vai taxar reciprocamente para lançamento no mês que vem. Washington diz que seus objetivos são corrigir desequilíbrios e conseguir tratado melhor equilibrado; Ottawa defende que preservará condições atuais e protegerá setores nacionais. Ambas as partes ainda podem voltar a conversar — e o rumo que tomarem definirá se tarifas permanecem ou se um entendimento comum será finalmente alcançado.
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