Lula afirma que “sensação” de preços mais altos ocorre porque brasileiros estão “comprando mais”

Em entrevista, presidente diz que população precisa controlar gastos e anuncia programa de educação financeira; não mencionou redução de impostos nem de juros
Por Gilvania Alves|GNEWSUSA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou no domingo (23) que a percepção de encarecimento também vem de mudanças nos hábitos de consumo. Segundo ele, o fato de os brasileiros consumirem mais produtos e serviços explica, ao lado de juros elevados, parte da impressão de que a vida ficou mais cara.

“Por que a sensação está cara? Está caro porque mudou o nosso hábito, porque os juros estão caros e porque estamos comprando mais coisa, utilizando mais coisa”, declarou Lula.

Ele acrescentou que compras pequenas feitas pelo celular somam sem que se perceba — e orientou: “estou a favor de consumir, mas consumir dentro do que você ganha”. Como medida, anunciou intenção de criar um programa de educação financeira, para ensinar a organizar despesas — mas não propôs mudanças que reduzam custos ou encargos definidos pelo governo.

Juros permanecem altos e pesam sobre preços

A taxa Selic está atualmente em 14 % ao ano — leve redução ante os 14,25 % anteriores, mas ainda em patamar elevado. Juros altos encarecem empréstimos, financiamentos e acabam repassados ao preço final de tudo — e embora tenha citado o problema, não foi apresentada nenhuma medida para acelerar a queda ou reduzir custos como impostos federais sobre itens essenciais.

Os dados mostram que preços realmente avançaram

O IPCA acumulou alta de 4,64 % ao longo de 12 meses até junho — e o índice de inflação mede justamente o encarecimento real de produtos e serviços consumidos pelas famílias. Uma inflação mais baixa num mês significa apenas que os valores continuaram aumentando, mas em ritmo menor — nunca que voltaram a custar menos.

E esses aumentos atingem principalmente despesas que ninguém deixa de ter: moradia, alimentação, transporte, energia — itens obrigatórios, que não dependem de “comprar demais” ou de pedir pelo celular. Mesmo famílias que cortaram tudo o que era supérfluo sentem o dinheiro acabar antes — porque cada produto custa, de fato, mais caro.

A conta continua no bolso do consumidor

Assim, a resposta oficial concentra‑se no comportamento de cada cidadão: consumir equilibradamente e saber planejar o orçamento — sem alterar encargos, taxas ou regras que definem quanto custa produzir, transportar ou vender no país.

Para milhões de famílias que já ajustaram os gastos ao mínimo possível, porém, explicar que “está caro porque consumimos mais” não resolve a conta: o que pesa não é o quanto levam — mas quanto cada um custa quando chegam ao caixa.

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