Breno de Souza Castro, de 24 anos, confessou ter asfixiado as duas filhas e teve a prisão em flagrante convertida em preventiva; investigação aponta que crime teria sido cometido para atingir a mãe das crianças
Por Gilvania Alves|GNEWSUSA
As irmãs Isis Helena e Lais Heloiza Alves de Souza, de 3 e 5 anos, serão sepultadas nesta terça-feira (11), no Cemitério São Pedro, na Vila Alpina, zona Leste de São Paulo. As meninas foram encontradas mortas dentro de um carro no domingo (9), após o pai, Breno de Souza Castro, de 24 anos, procurar uma delegacia e confessar que havia asfixiado as próprias filhas.
O velório das crianças teve início na noite de segunda-feira (10), na região da Vila Prudente. O sepultamento estava previsto para as 9h desta terça. A prisão de Breno, inicialmente realizada em flagrante, foi convertida em preventiva após audiência de custódia realizada na segunda-feira.
Segundo o registro policial, o crime ocorreu depois de uma sequência de mensagens e ameaças dirigidas à mãe das crianças. Na tarde de sábado (8), após a mulher publicar uma fotografia com amigas em uma rede social, Breno teria enviado uma mensagem dizendo que “aquela seria a última vez que ela veria as filhas” e que ela iria ver o que iria acontecer.
Horas depois, por volta das 15h30, ele saiu de casa levando as duas meninas. À família, informou que levaria as filhas para um passeio no Museu do Ipiranga. As crianças, entretanto, não retornaram no horário esperado.
A preocupação aumentou por volta das 18h, quando a irmã de Breno passou a questioná-lo por mensagens. Conforme o boletim de ocorrência, ele respondeu que ninguém mais veria as crianças. A família então avisou a mãe, que passou a procurar o ex-companheiro em lugares onde ele costumava frequentar. A Polícia Militar também foi acionada.
Na manhã de domingo, por volta das 6h, Breno foi até o plantão do 48º Distrito Policial, na Cidade Dutra. De acordo com o boletim, ele apresentava sinais de embriaguez e confessou ter sufocado as duas filhas. Posteriormente, as crianças foram localizadas sem vida dentro de um veículo.
A polícia trabalha com a hipótese de que as mortes tenham sido cometidas com a intenção de provocar sofrimento à mãe das meninas e puni-la após o fim do relacionamento. Esse tipo de violência, em que filhos são utilizados para atingir um ex-companheiro ou ex-companheira, é conhecido como vicaricídio.
Relacionamento marcado por agressões e ameaças
A mãe das crianças contou à polícia que manteve um relacionamento com Breno durante aproximadamente oito anos. Segundo o relato registrado no boletim de ocorrência, os dois estavam separados havia cerca de cinco meses.
A mulher afirmou que a separação ocorreu após episódios de agressão física e traições. Ainda conforme seu depoimento, Breno não teria aceitado o término e passou a persegui-la e ameaçá-la.
Diante da situação, a família teria adotado uma estratégia para reduzir os encontros entre os dois. Quando as meninas precisavam passar o fim de semana com a família paterna, elas eram entregues à avó paterna em um ponto intermediário, evitando que a mãe precisasse encontrar diretamente o ex-companheiro.
O caso segue sob investigação das autoridades policiais. Breno permanece preso preventivamente e deverá responder judicialmente pelas mortes das duas filhas.
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