Criminosos sequestraram ônibus escolares e bloquearam a Linha Vermelha no Rio

Ataque ocorreu durante operação na Maré, que terminou com três suspeitos mortos e deixou outros feridos

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

Dois ônibus escolares que transportavam estudantes da Escola Eleva, da Barra da Tijuca, foram interceptados por criminosos armados na manhã desta segunda-feira (28), na Linha Vermelha, próximo ao acesso à Rodovia Washington Luís, na altura da divisa entre o Rio de Janeiro e Duque de Caxias. Os veículos foram usados para bloquear a via expressa no sentido Baixada Fluminense.

Os ônibus levavam cerca de 120 alunos que seguiriam para uma excursão em Vassouras, no Sul Fluminense. Segundo as informações divulgadas pelas autoridades, ao menos oito criminosos em motocicletas participaram da ação.

Os homens abordaram dois dos quatro ônibus que faziam o trajeto. Durante a abordagem, pedras foram lançadas contra os para-brisas e os motoristas foram rendidos. Os condutores receberam ordem para atravessar os veículos na pista, formando uma barricada. Em seguida, os criminosos levaram as chaves dos coletivos.

Estudantes foram transferidos para veículos reservas

Apesar da gravidade da ocorrência, nenhum estudante ficou ferido. A equipe responsável pela excursão acionou o protocolo de segurança da instituição e manteve os alunos sob acompanhamento dos profissionais.

A Polícia Militar chegou ao local e auxiliou na transferência das crianças para ônibus reservas. Depois do procedimento, os estudantes puderam continuar a viagem programada. A Linha Vermelha permaneceu interditada por aproximadamente uma hora.

O episódio provocou grande impacto no trânsito e expôs estudantes, motoristas e outros usuários de uma das principais vias expressas do Rio de Janeiro a uma situação de violência.

Ação ocorreu após operação no Complexo da Maré

De acordo com a Polícia Militar, a tomada dos ônibus teria ocorrido como represália a uma operação realizada anteriormente no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio.

A operação tinha como objetivo combater a atuação de criminosos ligados ao Terceiro Comando Puro (TCP), além de reprimir o tráfico de drogas e a circulação de armas na região. Cerca de 200 agentes participaram da ação, com emprego de unidades especializadas da corporação.

Segundo a PM, o uso dos ônibus como barricadas também poderia ter como objetivo deslocar as forças de segurança para fora da área onde ocorria a operação.

A investigação policial também passou a apurar a possível participação de uma liderança criminosa na ordem para a tomada dos veículos. Essa hipótese é tratada pelas autoridades como linha de investigação, e não como fato definitivamente comprovado.

Operação terminou com mortos, feridos e prisões

A ação policial na Maré terminou com três suspeitos mortos, além de pessoas feridas e prisões. Os números divulgados ao longo do dia apresentaram atualizações diferentes conforme o atendimento às vítimas e o andamento da ocorrência.

A Polícia Militar informou ainda a apreensão de armamentos, granadas, carregadores e aproximadamente 83 quilos de drogas. Também foram recuperados veículos durante as diligências.

Entre os feridos estava um policial militar. Também houve registro de vítimas entre moradores da região durante os confrontos. A operação provocou impactos na rotina de milhares de pessoas.

Escolas e unidades de saúde tiveram atividades suspensas

A violência registrada na região também afetou o funcionamento de serviços públicos. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, 41 escolas municipais não abriram naquele dia por razões de segurança.

Na área da saúde, quatro unidades de atenção primária tiveram o funcionamento suspenso temporariamente.

O episódio envolvendo os ônibus escolares acrescentou uma nova dimensão à crise de segurança: veículos destinados ao transporte de crianças foram transformados em instrumentos de bloqueio de uma via expressa durante uma ação atribuída a criminosos.

Embora os estudantes tenham conseguido deixar o local sem ferimentos, a ocorrência evidenciou o risco enfrentado por pessoas que transitavam pela região durante o confronto entre forças de segurança e integrantes de grupos criminosos.

A Polícia Militar continua investigando a dinâmica do ataque e a possível ligação entre os responsáveis pela barricada e os criminosos que atuam na região da Maré.

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