Reunião ocorre após sessão marcada por divergências no Supremo e coloca acontecimentos recentes da Corte no centro da agenda em Washington
Por Gilvania Alves|GNEWSUSA
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro levou nesta quarta-feira (16) a Washington uma nova ofensiva pela adoção de sanções dos Estados Unidos contra integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF). Ao lado do empresário Paulo Figueiredo, ele participou de reuniões com integrantes do governo Donald Trump para apresentar argumentos pela retomada das medidas contra Alexandre de Moraes e pela inclusão dos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes entre os alvos de restrições americanas.
A movimentação ocorre um dia depois da sessão do STF que discutiu elementos relacionados ao caso Banco Master e à possibilidade de investigação envolvendo Moraes. Eduardo havia anunciado que levaria aos Estados Unidos registros do julgamento e utilizaria os acontecimentos da sessão como parte da argumentação em Washington.
Pressão pela retomada da Lei Magnitsky
O principal ponto apresentado pelos brasileiros foi a possibilidade de Moraes voltar à lista de pessoas submetidas a sanções pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), do Departamento do Tesouro americano.
O ministro já havia sido sancionado pelos Estados Unidos em julho de 2025 com base na legislação conhecida como Lei Global Magnitsky, em medida anunciada pelo Tesouro americano. Na ocasião, Washington citou acusações relacionadas a direitos humanos e liberdade de expressão para justificar a decisão.
As medidas contra Moraes foram posteriormente retiradas. Agora, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo defendem que os acontecimentos mais recentes no Brasil fornecem novos elementos para uma reavaliação da decisão.
“Nossa posição é a de que Moraes continua sob a designação da Lei Global Magnitsky e que não há razão para que ele não seja reincluído na lista SDN [lista de pessoas designadas e bloqueadas] do OFAC”, afirmou Paulo Figueiredo.
Dino e Gilmar também entram no pedido
A proposta apresentada em Washington não ficou restrita a Moraes. Flávio Dino e Gilmar Mendes também foram incluídos entre os nomes que Eduardo Bolsonaro e Figueiredo querem ver analisados pelas autoridades americanas.
Segundo Figueiredo, a justificativa apresentada é a existência, na avaliação dos dois, de elementos que poderiam enquadrar os ministros na hipótese de prestação de apoio material a uma pessoa submetida a sanções.
“Há elementos suficientes para demonstrar que Flávio Dino e Gilmar Mendes estão prestando apoio material a um indivíduo designado. E, portanto, devem ser designados também”, defendeu.
O pedido ocorre após a sessão de 15 de setembro, marcada por divergências entre ministros durante a discussão envolvendo a apuração relacionada a Moraes. O ministro Flávio Dino pediu vista do processo, adiando a análise sobre a abertura de investigação.
Eduardo transforma sessão do STF em argumento internacional
A ida de Eduardo Bolsonaro aos Estados Unidos já vinha sendo preparada antes da reunião desta quarta-feira. Na terça-feira (15), após a sessão do STF, ele afirmou que pretendia apresentar em Washington os registros do julgamento e buscar uma nova rodada de medidas contra autoridades brasileiras.
A estratégia coloca os acontecimentos recentes da Corte no centro da articulação internacional conduzida pelo ex-deputado. O objetivo apresentado por Eduardo é fazer com que autoridades americanas avaliem novamente as condutas atribuídas aos ministros e a possibilidade de aplicação de instrumentos previstos na legislação dos Estados Unidos.
Segurança pública também entra na agenda
Outro assunto levado à conversa foi a situação da segurança pública brasileira. Paulo Figueiredo mencionou uma declaração do governo Trump enviada ao Congresso americano na terça-feira (15), na qual Washington criticou a atuação brasileira no combate ao narcotráfico e apontou problemas relacionados ao PCC e ao Comando Vermelho.
“O anúncio sobre o fracasso do governo Lula em combater o tráfico de drogas é algo que vale os brasileiros prestarem a atenção”, disse.
“Eu estou otimista de que os brasileiros de bem vão gostar das notícias vindas dos EUA nas próximas semanas. E os bandidos não”, completou.
O documento americano passou a integrar o contexto das conversas realizadas em Washington, ampliando a pauta para além da crise envolvendo o STF e incluindo o combate às organizações criminosas como um dos pontos de interesse nas relações entre os dois países.
Próximos passos
A agenda de Eduardo Bolsonaro em Washington continua nos próximos dias, com novas conversas previstas com integrantes do governo americano. A expectativa é de que os acontecimentos recentes do STF permaneçam entre os assuntos apresentados às autoridades dos Estados Unidos.
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