Tratamento foi autorizado para pacientes com atrofia muscular espinhal e também está sendo pesquisado para reduzir a perda de massa magra associada ao uso de tirzepatida
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
A agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos, a FDA, aprovou o Isembyld (apitegromab), uma nova terapia destinada a pacientes com atrofia muscular espinhal (AME), doença genética rara que provoca perda progressiva da força e das funções musculares. Diferentemente dos tratamentos tradicionais, que atuam na produção de uma proteína essencial para o funcionamento dos neurônios motores, o novo medicamento age diretamente sobre o músculo.
O apitegromab bloqueia a miostatina, proteína que funciona como um mecanismo natural de controle do crescimento muscular. Com esse bloqueio, a expectativa é favorecer o desenvolvimento e a preservação da musculatura. A aprovação foi baseada em um estudo com 188 pacientes entre 2 e 21 anos, que já utilizavam outros tratamentos para a AME. Após cerca de um ano, aqueles que receberam o novo medicamento apresentaram melhora média na função motora, enquanto o grupo que recebeu placebo registrou perda de desempenho. A terapia foi autorizada para uso em conjunto com nusinersena ou risdiplam.
Além da indicação para AME, o medicamento está sendo investigado em outra frente que ganhou atenção com a popularização das canetas para emagrecimento. Substâncias como a tirzepatida, presente no Mounjaro, promovem perda significativa de peso, mas parte desse processo pode envolver também a redução de massa muscular. Em um estudo preliminar conduzido pela empresa responsável pelo apitegromab, pacientes que receberam a combinação das duas substâncias preservaram aproximadamente 55% mais massa magra após 24 semanas do que aqueles que utilizaram apenas a tirzepatida.
Apesar dos resultados iniciais, o uso do apitegromab para evitar a perda muscular relacionada aos medicamentos para emagrecer ainda não foi aprovado. Os pesquisadores continuam avaliando a segurança e a eficácia dessa combinação antes de determinar se ela poderá se tornar uma nova estratégia para preservar a musculatura durante o processo de perda de peso.
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