Interpol aciona mãe de irmãos desaparecidos em Bacabal: Ágatha e Allan podem estar entre 163 crianças resgatadas na Flórida

Após oito meses sem notícias de Ágatha e Allan, cooperação internacional abre nova frente de investigação; uma das crianças localizadas nos Estados Unidos chamou atenção pela semelhança com o menino maranhense
Por Gilvania Alves|GNEWSUSA

O desaparecimento de Ágatha Isabelle, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, em Bacabal, no Maranhão, ganhou uma nova frente de investigação nesta semana. Depois de oito meses sem que os irmãos fossem localizados, a Interpol colocou suas ferramentas de cooperação internacional à disposição da família, segundo informações da defesa das crianças.

O movimento ocorre justamente após uma grande operação realizada nos Estados Unidos que resultou na localização de 163 crianças e adolescentes desaparecidos. A ação, denominada Operation Statewide Shield, foi conduzida na Flórida entre os dias 17 e 21 de agosto pelo Departamento de Polícia da Flórida (FDLE), em parceria com outras instituições.

A operação foi oficialmente anunciada em 25 de agosto. Segundo o FDLE, as crianças localizadas tinham entre 2 meses e 17 anos, e muitas haviam enfrentado diferentes níveis de abuso, negligência, exploração ou exposição a outras atividades criminosas. Houve recuperações na Flórida e também em outros seis estados, um território americano e 12 países.

Uma imagem reacendeu a esperança da família

A possibilidade de uma ligação com o caso de Bacabal surgiu depois que imagens de uma das crianças encontradas nos Estados Unidos passaram a circular e chamaram atenção pela semelhança física com Allan Michael, que tinha 4 anos quando desapareceu.

A família recebeu mensagens de pessoas que também perceberam a semelhança. A partir daí, a defesa procurou autoridades brasileiras e internacionais para tentar descobrir a identidade da criança localizada nos Estados Unidos.

Mas, até o momento, não existe confirmação oficial de que o menino seja Allan.

A própria defesa tem reforçado que a semelhança visual, por si só, não permite identificar uma criança desaparecida. A confirmação dependerá dos procedimentos oficiais de identificação e do cruzamento de informações.

Interpol passa a oferecer ferramentas para o caso

Segundo a advogada Nathaly Moraes, que representa Clarice Cardoso, mãe de Ágatha e Allan, o Núcleo de Cooperação Internacional informou à defesa que a Interpol poderia auxiliar na investigação.

“Quando foi hoje, o Núcleo de Cooperação Internacional entrou em contato falando que a Interpol estará conosco, que ela está oferecendo todas as ferramentas para nos ajudar.”

A advogada explicou que uma reunião está prevista para esta quarta-feira (9), na sede da Polícia Federal, em São Luís, para definir como as ferramentas de cooperação internacional poderão ser utilizadas.

Em outra declaração, Nathaly afirmou que a estrutura poderá ajudar inclusive caso as crianças sejam encontradas em outro país.

“Hoje eles já entraram em contato. Amanhã a gente vai estar lá na sede da Polícia Federal para falar com esse núcleo de cooperação internacional.”

As declarações foram dadas ao portal Imirante, que também informou que a família busca informações sobre crianças encontradas no exterior que ainda não tenham sido identificadas.

Consulado brasileiro também acompanha a situação

A defesa também acionou o Consulado Brasileiro em Miami para verificar se entre as crianças localizadas nos Estados Unidos existe algum brasileiro que possa ser identificado como um dos irmãos desaparecidos.

A medida ganhou importância porque a operação americana não se limitou ao território da Flórida. O próprio FDLE informou que houve localizações e recuperações relacionadas a casos em seis estados americanos, um território dos Estados Unidos e 12 países.

Ainda assim, as autoridades brasileiras não confirmaram que Ágatha ou Allan estejam entre os menores localizados.

O desaparecimento que completa oito meses

Ágatha e Allan desapareceram em 4 de janeiro de 2026, na comunidade quilombola de São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal.

Na ocasião, os irmãos estavam acompanhados do primo Wanderson Kauã, então com 8 anos. O menino também desapareceu, mas foi localizado três dias depois, debilitado e desorientado. Ágatha e Allan, porém, continuam sem paradeiro conhecido.

Desde o desaparecimento, buscas foram realizadas na região, com participação de forças de segurança e voluntários. Segundo informações divulgadas pela família, nenhum vestígio físico dos dois irmãos foi localizado.

Pista internacional ainda depende de confirmação

A entrada da Interpol representa uma nova possibilidade de cooperação internacional, mas não significa que a organização tenha confirmado que as crianças estejam nos Estados Unidos.

A própria defesa alertou contra informações divulgadas nas redes sociais que tratavam a possível identificação como fato consumado. Nathaly Moraes classificou esse tipo de divulgação como “sensacionalismo” e reforçou que a família aguarda a confirmação oficial.

A informação confirmada até agora é que a Interpol passou a disponibilizar ferramentas de cooperação para auxiliar no caso, enquanto autoridades e familiares tentam cruzar informações sobre crianças localizadas fora do Brasil.

E é justamente esse cruzamento de dados que poderá responder à pergunta que há oito meses atormenta a família: onde estão Ágatha e Allan?

Por enquanto, a possibilidade de que um dos menores encontrados nos Estados Unidos seja Allan permanece apenas como uma hipótese que está sendo investigada.

A esperança, porém, ganhou uma nova dimensão internacional.

Jornal GNewsUSA — BRAZILIANS AROUND THE WORLD

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