Irã propõe trégua de sete dias aos EUA para tentar retomar negociações

Plano apresentado por Teerã prevê suspensão dos ataques, alívio de sanções e reabertura do Estreito de Ormuz; governo americano afirma que mantém conversas, mas não pretende acelerar um possível acordo
Por Tatiane Martinelli | GNEWSUSA 

O Irã apresentou aos Estados Unidos uma proposta para estabelecer uma trégua de sete dias e criar condições para a retomada das negociações entre os dois países. O plano foi divulgado nesta sexta-feira (25) pelo ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, durante sua passagem por Nova York para a Assembleia Geral das Nações Unidas. 

De acordo com o chanceler, a proposta foi encaminhada a Washington por meio de intermediários. Teerã condiciona a implementação do acordo ao cumprimento de uma série de medidas durante o período de sete dias.

Entre as exigências estão a interrupção dos ataques militares, incluindo ações no Líbano, o desbloqueio de ativos iranianos mantidos no exterior, a suspensão das sanções americanas sobre o petróleo do Irã e o fim do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos.

Como parte do acordo, o Irã se comprometeria a reabrir o Estreito de Ormuz ao final dos sete dias e retomar as negociações sobre seu programa nuclear. A passagem marítima é uma das principais rotas utilizadas para o transporte mundial de petróleo e sua interrupção tem provocado impactos nos mercados internacionais.

Proposta prevê prazo menor

Segundo autoridades iranianas citadas pelo Terra, a iniciativa apresentada agora mantém pontos semelhantes aos de um memorando de entendimento discutido anteriormente entre os dois países, mas estabelece um cronograma significativamente mais curto.

Enquanto o acordo anterior previa um período de aproximadamente 60 dias para a implementação das medidas, a nova proposta concentra as etapas em apenas uma semana. A intenção de Teerã seria acelerar a retomada das negociações antes das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, previstas para novembro.

Washington mantém cautela

Do lado americano, as negociações continuam sendo conduzidas por meio de intermediários. Um diplomata familiarizado com as conversas afirmou que os contatos entre Washington e Teerã têm sido considerados positivos e construtivos, mas que os Estados Unidos não pretendem acelerar a conclusão de um acordo.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, por sua vez, afirmou que uma reunião de aproximadamente três horas entre representantes dos dois países, realizada com mediação do Catar, não produziu avanços significativos.

Apesar disso, novas conversas ainda são esperadas nos próximos dias. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, afirmou que os canais de negociação por meio de intermediários permanecem abertos.

Estreito de Ormuz é peça central

A reabertura do Estreito de Ormuz é um dos principais pontos da proposta iraniana. A passagem conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é fundamental para o transporte internacional de petróleo.

A possibilidade de uma reabertura provocou reação nos mercados nesta sexta-feira. O petróleo Brent, referência internacional, recuava pela manhã, enquanto o WTI, negociado nos Estados Unidos, também apresentava queda. O movimento ocorreu em meio às expectativas sobre uma possível redução das tensões no Oriente Médio.

As negociações acontecem em um momento de forte pressão internacional para uma solução diplomática para o conflito. Estados Unidos e Irã continuam divergindo sobre questões militares, econômicas e relacionadas ao programa nuclear iraniano, enquanto países da região acompanham os desdobramentos devido aos possíveis impactos sobre a segurança e o fornecimento global de energia.

Por enquanto, Washington ainda não confirmou a aceitação da proposta de Teerã. As próximas rodadas de negociação deverão indicar se as condições apresentadas pelo Irã poderão servir de base para uma trégua e para a retomada de um acordo mais amplo entre os dois países.

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