Julgamento expõe detalhes do assalto violento sofrido por Donnarumma em Paris

Foto: Reprodução.
Goleiro foi agredido, amarrado e ameaçado com uma faca durante invasão ao apartamento em 2023; três suspeitos respondem pelo crime
Por Schirley Passos|GNEWSUSA

O julgamento do violento assalto sofrido por Gianluigi Donnarumma e sua companheira, Alessia Elefante, em Paris, trouxe à tona novos detalhes do crime ocorrido em julho de 2023. O goleiro italiano, que atualmente defende o Manchester City, estava no Paris Saint-Germain quando foi surpreendido por criminosos dentro de seu apartamento na luxuosa Avenue Montaigne.

O processo começou na quinta-feira (10), no Tribunal Correcional de Paris, e continua nesta sexta-feira (11). Três homens são julgados por suspeita de participação no chamado home-jacking. Dois deles, Ilyas Kherbouch, conhecido como “Ganito”, e Khyan Mamouni, o “Kiki”, são apontados como possíveis mandantes do crime. Ambos negam envolvimento.

O terceiro réu, Moktar Diop, admitiu participação na invasão, mas nega ter sido responsável pelas agressões cometidas contra o goleiro e sua companheira. Dois outros envolvidos, menores de idade na época do crime, já foram condenados pela Justiça juvenil.

Como aconteceu o assalto

O crime ocorreu durante a madrugada de 21 de julho de 2023. Donnarumma e Alessia estavam dormindo quando quatro homens encapuzados conseguiram entrar no apartamento localizado na Avenue Montaigne, uma das áreas mais valorizadas de Paris.

Segundo o relato apresentado à Justiça, os criminosos chegaram ao edifício pelo telhado, utilizando uma escada. Em seguida, desceram até a varanda e quebraram uma janela para entrar no imóvel.

Donnarumma contou que foi acordado por um dos invasores, que ordenou que permanecesse em silêncio. Na sequência, o goleiro foi atingido no rosto com um soco-inglês, amarrado e ameaçado com uma faca.

Os criminosos exigiam dinheiro e objetos de luxo. Entre os itens levados estavam relógios, joias, bolsas, dinheiro e as chaves de veículos do casal. O valor total do prejuízo é estimado em aproximadamente € 2 milhões, segundo informações divulgadas durante a investigação.

Alessia também foi agredida

Alessia Elefante, companheira de Donnarumma na época e atualmente sua esposa, também foi amarrada e agredida pelos invasores.

Ela estava grávida quando o crime aconteceu e relatou aos investigadores que informou aos assaltantes sobre a gravidez, mas as agressões continuaram. Segundo o relato apresentado no processo, ela foi puxada pelos cabelos e atingida nas pernas.

A violência teve consequências ainda mais graves. De acordo com informações apresentadas por veículos franceses durante o julgamento, Alessia perdeu o bebê alguns dias depois do ataque.

Criminosos exigiram acesso ao cofre

Além dos objetos de valor espalhados pelo apartamento, os invasores também exigiram a senha de um cofre.

Alessia afirmou que não sabia o código e informou que o compartimento estava vazio. Mesmo assim, os criminosos continuaram a pressioná-la.

O casal permaneceu sob ameaça até que os assaltantes deixaram o imóvel. Depois de conseguirem se libertar, Donnarumma e Alessia procuraram ajuda em um hotel próximo e foram posteriormente encaminhados para atendimento médico.

Suspeita de que o crime foi comandado de dentro da prisão

Um dos principais pontos do julgamento é a possível participação de Ilyas Kherbouch, conhecido como “Ganito”.

Segundo a investigação, Kherbouch teria coordenado o assalto enquanto estava preso. Ele e Khyan Mamouni são acusados de terem organizado e acompanhado a ação por telefone a partir da prisão, mas os dois negam as acusações.

Kherbouch possui um histórico criminal extenso e já foi condenado anteriormente. Em março de 2026, ele também protagonizou uma fuga da prisão de Villepinte, permanecendo foragido por 13 dias antes de ser recapturado.

Julgamento começou sob forte tensão

A primeira audiência, na última quinta-feira (19), foi marcada por confusão e confrontos entre os réus e policiais.

Kherbouch insultou e ameaçou agentes de segurança e chegou a ser retirado da sala de audiência. Mamouni também protagonizou momentos de tensão e acabou expulso do local. A sessão precisou ser interrompida diante do comportamento dos acusados e de familiares.

A presidente do tribunal chegou a advertir Kherbouch de que ele poderia ser julgado mesmo sem permanecer na audiência caso continuasse interrompendo os trabalhos.

O julgamento foi retomado nesta sexta-feira, quando a Justiça passou a analisar os detalhes da invasão, a participação de cada acusado e as provas reunidas durante a investigação. O processo está previsto para terminar nesta sexta-feira (11).

Dois menores já foram condenados

Além dos três homens julgados agora, outros dois envolvidos no crime, que eram menores de idade quando participaram do assalto, já foram condenados pela Justiça juvenil.

Um recebeu pena de três anos de prisão e o outro, quatro anos, de acordo com informações divulgadas anteriormente sobre o processo.

Outro suspeito que havia admitido participação no crime morreu na prisão em 2024. As informações divulgadas durante o processo apontam que ele cometeu suicídio.

Donnarumma deixou o PSG e hoje defende o Manchester City

O assalto aconteceu quando Donnarumma ainda era jogador do Paris Saint-Germain. O goleiro italiano permaneceu no clube francês até o fim da temporada 2024/25, antes de se transferir para o Manchester City.

Três anos depois do crime, o caso voltou aos holofotes com o início do julgamento em Paris.

Donnarumma não está no banco dos réus, e os acusados continuam protegidos pela presunção de inocência até que haja uma decisão judicial definitiva.

O processo busca esclarecer principalmente quem participou diretamente da invasão e quem teria planejado o ataque contra o goleiro e sua companheira, em um dos episódios mais violentos envolvendo jogadores de futebol em Paris nos últimos anos.

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