Relatório sigiloso aponta transações milionárias, agendas reservadas e mudança em votos do ministro
Por Ana Raquel|Gnewsusa
Um relatório sigiloso da Polícia Federal, de quase 200 páginas, foi enviado ao Supremo Tribunal Federal há sete meses e apresenta uma série de suspeitas envolvendo o ministro Dias Toffoli e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
O documento, denominado Informações de Polícia Judiciária de Análise nº 893171/2026 e elaborado a partir do conteúdo do celular de Vorcaro, levanta a hipótese de que Toffoli possa ter sido o “beneficiário final” ou “proprietário de fato” do Fundo de Investimentos em Participações (FIP) Arleen.
O fundo recebeu ao menos R$ 35 milhões de Vorcaro e posteriormente teve ativos transferidos para uma holding nas Ilhas Virgens Britânicas. Segundo os investigadores, o Arleen era sócio do Tayayá Aqua Resort, empreendimento ligado a Toffoli e sua família.
A PF afirma ter identificado elementos que, analisados em conjunto, apontariam para a possibilidade de Toffoli ser beneficiário final ou proprietário de fato do FIP Arleen e de seus ativos.
A estrutura financeira passou por alterações e o fundo passou às mãos do empresário Alberto Leite, apontado como amigo de Toffoli. Posteriormente, uma mudança no regulamento permitiu investimentos no exterior e cerca de R$ 34 milhões foram transferidos para a holding Egide I, nas Ilhas Virgens Britânicas.
Suspeitas envolvendo julgamento no STF
A segunda frente analisada pela PF envolve possível interferência nos julgamentos do STF relacionados a precatórios do setor sucroalcooleiro.
O Banco Master possuía uma carteira superior a R$ 10 bilhões relacionada a operações semelhantes e tinha interesse no resultado de uma ação envolvendo a usina Alcídia.
Mensagens encontradas no celular de Vorcaro registram preocupação com o julgamento. Entre elas estão as frases “Matou a gente”, “Toffoli virou o voto” e “Tô tratando aqui”.
A PF considerou as mensagens de “especial relevância”, mas ressaltou que o caso ainda exige “aprofundamento analítico”, sem apresentar conclusão definitiva de interferência indevida.
Encontros entre Toffoli e Vorcaro
O relatório também registra ao menos 12 encontros presenciais entre Toffoli e Vorcaro entre o fim de 2023 e o início de 2025, além de 167 ligações por aplicativo entre os dois aparelhos.
Toffoli nega as suspeitas
O gabinete de Dias Toffoli negou as suspeitas levantadas no relatório da Polícia Federal e afirmou que o ministro não possui recursos no exterior nem realizou operações nas Ilhas Virgens Britânicas. Também contestou a existência de alteração indevida de voto no processo analisado pela PF.
Sobre o relatório, o gabinete afirmou que o documento foi arquivado e que os ministros do STF tiveram conhecimento do conteúdo. A informação sobre a tramitação do relatório, no entanto, permanece entre os pontos que cercam o caso.
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