Relatório encaminhado ao STF reúne mensagens recuperadas do celular do ex-banqueiro e levanta suspeitas sobre informações antecipadas; contrato milionário com escritório da esposa do ministro também entrou no radar da investigação
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
Um relatório elaborado pela Polícia Federal e encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) colocou sob investigação a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Segundo elementos reunidos pela PF, mensagens recuperadas do celular de Vorcaro indicariam que o empresário buscava informações e orientações junto ao magistrado antes de sua prisão, levantando suspeitas sobre eventual antecipação de medidas relacionadas às investigações. A apuração, contudo, ainda não representa uma conclusão definitiva sobre a prática de crimes por parte de Moraes.
Entre os elementos analisados estão conversas enviadas por Vorcaro ao número de Moraes nos dias que antecederam a prisão do empresário. A Polícia Federal conseguiu recuperar registros das mensagens encaminhadas pelo banqueiro, mas não teve acesso ao conteúdo enviado por Moraes. Mesmo assim, investigadores analisaram as respostas de Vorcaro e o contexto das conversas para avaliar se o empresário teria recebido informações antecipadas sobre medidas judiciais ou ações que poderiam afetar seus negócios.
Outro ponto que passou a integrar a apuração é um contrato firmado em janeiro de 2024 entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. O acordo previa honorários que poderiam chegar a aproximadamente R$ 131 milhões ao longo de três anos. Dados técnicos extraídos do celular de Vorcaro indicaram que uma versão do documento foi modificada em janeiro de 2024 por um perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”. O escritório confirmou que o ministro acessou e editou o arquivo, mas afirmou que ele foi consultado exclusivamente para verificar a existência de possíveis impedimentos legais relacionados à contratação.
A defesa de Moraes nega irregularidades e rejeita a interpretação de que o ministro tenha utilizado o cargo para favorecer Vorcaro ou interferir em investigações. O escritório de Viviane também sustenta que não havia impedimento legal para a contratação e afirma que os serviços jurídicos previstos no acordo foram efetivamente prestados. As informações reunidas pela PF deverão ser analisadas pelas autoridades competentes, inclusive diante do debate sobre a validade e a forma como os elementos foram produzidos e encaminhados ao Supremo.
O episódio ampliou a crise envolvendo o Banco Master e provocou novo embate dentro do STF. O material passou a ser analisado no âmbito das investigações conduzidas pelo ministro André Mendonça, enquanto a Procuradoria-Geral da República apresentou questionamentos sobre a forma de obtenção e utilização do relatório. Até que haja eventual investigação formal e decisão das autoridades competentes, as suspeitas descritas no documento permanecem como elementos de apuração, sem que isso constitua condenação ou comprovação definitiva de responsabilidade criminal.
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