PF mira contratos de R$ 84 milhões da Educação de BH em nova fase da Overclean

Operação cumpre 24 mandados em seis estados e investiga suspeitas de fraude e direcionamento de contratos

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

A Polícia Federal deflagrou, na quinta-feira (17), a 10ª fase da Operação Overclean para investigar suspeitas de irregularidades em contratações realizadas pela Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte entre 2024 e 2025. Segundo a PF, três contratos analisados pela investigação somam mais de R$ 80 milhões.

A operação mobilizou equipes em seis estados: Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Tocantins, Paraná e Espírito Santo. Ao todo, foram expedidos 24 mandados de busca e apreensão.

De acordo com a investigação, há indícios de que procedimentos de contratação possam ter sido direcionados para beneficiar empresas responsáveis pelo fornecimento de serviços e materiais destinados à área educacional.

Contratos chegam a cerca de R$ 84 milhões

A PF aponta que três contratos firmados na área de materiais e serviços educacionais alcançam aproximadamente R$ 84 milhões. Desse total, mais de R$ 77 milhões teriam sido pagos.

As contratações foram realizadas em 2024, durante a administração do então prefeito Fuad Noman, que morreu em março de 2025.

Além desses contratos, outros procedimentos de contratação também estão sendo analisados pelos investigadores.

Dinheiro apreendido durante a operação

Durante o cumprimento dos mandados, os agentes apreenderam cerca de R$ 230 mil em dinheiro em ações realizadas em Ervália, na Zona da Mata de Minas Gerais, e na cidade de São Paulo. Como as diligências ainda estavam em andamento, o valor poderia sofrer alteração.

A apreensão faz parte das medidas adotadas pela PF para reunir elementos relacionados às suspeitas investigadas.

Quem está no foco da investigação

Entre os investigados estão o ex-secretário municipal de Educação de Belo Horizonte Bruno Barral e empresários ligados aos contratos analisados, entre eles José Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, e Alex Parente.

Os investigadores apuram possíveis crimes relacionados a fraude em licitações, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

A investigação, entretanto, está em andamento e as suspeitas ainda precisam ser esclarecidas no decorrer do processo. A condição de investigado não significa condenação.

Como funcionaria o esquema, segundo a PF

A hipótese investigada é de que integrantes de uma organização criminosa teriam conseguido se infiltrar na estrutura da Secretaria Municipal de Educação para influenciar procedimentos de contratação e direcionar negócios para empresas ligadas ao grupo.

O objetivo da investigação é identificar como os contratos foram estruturados, quais empresas participaram dos procedimentos e se houve atuação coordenada para favorecer determinados fornecedores.

A PF também busca verificar a eventual participação de agentes públicos e privados e rastrear a movimentação dos recursos relacionados aos contratos.

Prefeitura afirma que atual gestão não firmou contratos investigados

A Prefeitura de Belo Horizonte informou que a atual gestão não firmou contratos para aquisição de material didático relacionados ao caso. Segundo a administração municipal, a rede utiliza livros disponibilizados pelo Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), do governo federal.

A prefeitura também afirmou que não recebeu solicitação ou demanda relacionada à operação, mas declarou estar à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários.

Investigação continua

A 10ª fase da Operação Overclean amplia a apuração sobre contratos públicos na área da educação de Belo Horizonte. A Polícia Federal ainda analisa outros procedimentos de contratação e os materiais recolhidos durante as buscas.

Até o momento, os fatos são tratados como suspeitas e a investigação permanece em andamento.

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