Prescrição de medicamentos para emagrecimento cresce mais de 300 vezes entre crianças nos EUA

Estudo aponta forte aumento no uso de medicamentos GLP-1 por crianças de 8 a 11 anos; especialistas alertam para a necessidade de acompanhamento dos efeitos a longo prazo
Por Tatiane Martinelli | GNEWSUSA 

A utilização de medicamentos da classe GLP-1 por crianças americanas de 8 a 11 anos aumentou mais de 300 vezes desde 2019. A pesquisa analisou dados de mais de 3,5 milhões de crianças com obesidade nos Estados Unidos.

Os dados mostram que a proporção de crianças que receberam prescrições desses medicamentos passou de 0,03% em 2019 para 9,3% em junho de 2026. Ao todo, 20.282 crianças receberam algum medicamento GLP-1 durante o período analisado.

Apesar do crescimento expressivo, os medicamentos dessa classe não possuem aprovação da FDA para crianças menores de 12 anos. Em determinadas situações, porém, médicos podem prescrevê-los de forma chamada off-label, especialmente em casos de obesidade grave.

O estudo aponta ainda que 94% das crianças que receberam os medicamentos apresentavam obesidade grave e cerca de 65% tinham pelo menos uma condição relacionada, como pressão alta, colesterol elevado ou apneia do sono.

A discussão ganhou ainda mais força após a divulgação, nesta semana, de resultados de um ensaio clínico da Novo Nordisk envolvendo semaglutida em crianças de 6 a menos de 12 anos. A empresa informou que 40,4% das crianças tratadas deixaram de ser classificadas como obesas após 68 semanas de acompanhamento.

Os resultados reforçam o debate sobre o potencial dos medicamentos no tratamento da obesidade infantil, mas também levantam questões sobre segurança, acompanhamento médico e os efeitos do uso prolongado durante uma fase importante do desenvolvimento.

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