Manifestações em Dover e Portsmouth reuniram centenas de pessoas contra as travessias pelo Canal da Mancha; confrontos com a polícia e bloqueios de vias levaram o governo britânico a condenar os atos
Por Chico Gomes | GNEWSUSA
A crise migratória voltou a provocar tensão nas ruas do Reino Unido no fim de semana. Centenas de manifestantes contrários à imigração bloquearam acessos a portos e estradas no sul da Inglaterra, em protestos relacionados à chegada de pessoas que atravessam o Canal da Mancha em pequenas embarcações.
Os episódios ocorreram inicialmente em Dover, no sábado (5), e ganharam novas proporções no domingo (6), em Portsmouth, depois que cerca de 140 migrantes chegaram à região após uma travessia marítima partindo da França.
Em Dover, homens vestidos de preto e muitos usando máscaras bloquearam importantes vias de acesso ao porto, um dos principais pontos de ligação entre o Reino Unido e a França. O bloqueio provocou congestionamentos e afetou o deslocamento de passageiros e veículos de carga.
Os manifestantes entoaram palavras de ordem contra as travessias de pequenas embarcações e defenderam medidas mais rígidas para controlar a entrada de migrantes no país. O trânsito chegou a ser interrompido em trechos importantes, causando atrasos nas operações do porto.
Novo protesto em Portsmouth
No domingo, a mobilização se deslocou para Portsmouth, onde uma embarcação com aproximadamente 140 pessoas chegou após uma viagem pelo Canal da Mancha. A rota chamou atenção por ter sido mais longa do que o percurso normalmente utilizado pelos barcos que partem da região de Calais.
Manifestantes se concentraram nas proximidades de Eastney Marina e bloquearam a passagem de veículos que transportariam os migrantes para um centro de processamento. Muitos estavam novamente vestidos de preto e com o rosto coberto.
A polícia precisou formar barreiras com escudos para controlar a situação. Houve confrontos, danos a veículos oficiais e relatos de agentes feridos durante a operação de contenção. Uma ordem de dispersão foi posteriormente estabelecida pelas autoridades.
O governo britânico classificou o comportamento dos manifestantes como intimidatório e incompatível com um protesto pacífico. As autoridades ressaltaram que o direito à manifestação é protegido pela democracia britânica, mas afirmaram que ele não pode resultar em violência, ameaças ou interrupção deliberada da rotina da população.
Imigração continua no centro do debate
Os protestos acontecem em meio a uma discussão cada vez mais intensa sobre o controle das fronteiras britânicas. Embora o número de travessias pelo Canal da Mancha tenha apresentado queda em 2026, o governo continua preocupado com a atuação de grupos criminosos responsáveis por organizar as viagens.
Segundo o governo, as travessias em pequenas embarcações estão mais de 40% abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior. Ao mesmo tempo, as autoridades alertam para mudanças nas estratégias utilizadas pelos traficantes, incluindo o uso de embarcações maiores e novas rotas de chegada.
A chegada de migrantes a Portsmouth também chamou atenção porque a cidade não possui a mesma estrutura de processamento existente em áreas tradicionalmente utilizadas para esse tipo de desembarque.
O cenário aumenta a pressão sobre o governo britânico, que tenta equilibrar o combate às travessias irregulares com a necessidade de manter a ordem pública e evitar que manifestações contra a imigração evoluam para confrontos.
Os acontecimentos de Dover e Portsmouth mostram que a questão migratória continua sendo um dos temas mais sensíveis do Reino Unido. Mesmo diante da redução das travessias, a chegada de novas embarcações permanece capaz de provocar mobilizações, tensões políticas e confrontos nas comunidades costeiras.
Jornal GNewsUSA — BRAZILIANS AROUND THE WORLD
LEIA TAMBÉM:
7 de setembro: ato em Brasília reúne manifestantes por impeachment de Moraes e contra Alcolumbre
Frio pode aumentar a dor da artrose, estudos ajudam a explicar o fenômeno
Justiça aponta que Nikolas não chamou Vorcaro de “lindão” e ordena retirada de reportagem do ar

Faça um comentário