Presidente sul-africano defende controle das fronteiras e cumprimento das leis, mas afirma que preocupações com a imigração não podem justificar racismo, violência ou ataques contra estrangeiros
Por Chico Gomes | GNEWSUSA
O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, voltou a se manifestar contra a xenofobia e a intolerância no país diante da convocação de novas manifestações contra a imigração. O movimento March and March estabeleceu 30 de setembro como prazo para que imigrantes em situação irregular deixem o território sul-africano.
Em sua carta semanal à população, divulgada nesta segunda-feira (28), Ramaphosa afirmou que a África do Sul não deve ser definida pela xenofobia e lembrou o apoio recebido de outros países africanos durante a luta contra o apartheid e na construção da democracia sul-africana.
O presidente defendeu a ideia de uma África integrada e afirmou que o país continua comprometido com os princípios de unidade entre as nações do continente. Ao mesmo tempo, ressaltou que a imigração precisa ocorrer dentro da legalidade e que o governo tem a responsabilidade de proteger e administrar suas fronteiras.
Governo reconhece problemas relacionados à imigração
A posição de Ramaphosa não significa que o governo sul-africano ignore os problemas relacionados à imigração irregular.
Em pronunciamento feito em junho, o presidente reconheceu que a imigração ilegal representa um desafio para o país e pode aumentar a pressão sobre serviços públicos, além de estar relacionada, em alguns casos, a redes criminosas envolvidas com tráfico de pessoas, extorsão, drogas e outras atividades ilegais.
Por isso, o governo vem adotando medidas para reforçar o controle migratório. Entre elas estão investimentos na segurança das fronteiras, modernização dos sistemas de imigração e operações para identificar pessoas em situação irregular.
Dados divulgados pelo governo sul-africano em setembro indicam que mais de 4,2 mil estrangeiros sem documentação foram interceptados tentando entrar no país fora dos pontos oficiais entre abril e julho. No mesmo período, quase 90 mil pessoas foram repatriadas.
Protestos voltam a colocar tensão nas ruas
As manifestações contra imigrantes ganharam força ao longo de 2026 e, em alguns episódios, foram registradas situações de violência, saques e confrontos. Em julho, mais de 900 pessoas haviam sido presas durante uma onda de protestos anti-imigração ocorrida em diferentes regiões do país.
O governo, porém, afirma que manifestações pacíficas fazem parte dos direitos constitucionais dos cidadãos, enquanto atos criminosos devem ser responsabilizados pelas autoridades.
A preocupação agora é evitar que novas mobilizações sejam acompanhadas por ataques contra estrangeiros ou confrontos entre comunidades.
“O racismo nunca definirá quem somos”
Ao comentar o atual cenário, Ramaphosa pediu que os sul-africanos não permitam que questões relacionadas à imigração sejam utilizadas para estimular divisões dentro da sociedade.
O presidente também afirmou que declarações inflamadas contra estrangeiros são perigosas, especialmente em um momento no qual a imigração irregular já provoca tensões sociais.
A mensagem do governo é que o combate à imigração irregular deve ser realizado pelas instituições responsáveis, dentro da legislação, e não por grupos que abordem ou intimidem pessoas nas ruas.
Um desafio que ultrapassa as fronteiras da África do Sul
A questão migratória também tem provocado preocupação entre outros países africanos, especialmente aqueles que possuem cidadãos vivendo na África do Sul.
O governo de Ramaphosa afirma que pretende trabalhar com países vizinhos e organizações regionais para buscar soluções conjuntas para os desafios migratórios. A proposta inclui fortalecer o controle das fronteiras, melhorar os mecanismos de migração legal e combater redes criminosas sem transformar estrangeiros em alvo de perseguição.
Com novas manifestações previstas para esta semana, a África do Sul volta a enfrentar um delicado equilíbrio entre o controle da imigração irregular e a necessidade de evitar que a insatisfação social se transforme em xenofobia e violência.
Para Ramaphosa, o desafio é garantir que as leis sejam cumpridas sem permitir que diferenças de nacionalidade sejam utilizadas para alimentar intolerância ou dividir a população.
Jornal GNewsUSA — BRAZILIANS AROUND THE WORLD
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