Pesquisa da IATA mostra que dificuldades com vistos e procedimentos de entrada influenciam a escolha dos destinos
Por Chico Gomes | GNEWSUSA
As exigências de imigração estão a ter um peso cada vez maior na decisão dos viajantes sobre onde passar as férias ou realizar uma viagem. De acordo com o Global Passenger Survey 2026, divulgado pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), 43% dos passageiros afirmam já ter desistido de visitar determinados destinos devido às exigências de entrada. O número representa um aumento de dez pontos percentuais em relação a 2025, quando o indicador era de 33%.
Entre os principais obstáculos apontados estão a complexidade dos procedimentos de imigração, mencionada por 53% dos viajantes que enfrentaram dificuldades, seguida das preocupações com a privacidade e dos custos associados, ambos referidos por 17%.
Apesar das barreiras burocráticas, os passageiros demonstram uma crescente abertura à digitalização das viagens. O levantamento revela que 49% já utilizaram ferramentas de inteligência artificial (IA) para planear as suas deslocações, sobretudo para pesquisar voos, encontrar tarifas mais económicas e descobrir novos destinos.
A biometria também ganha adesão nos aeroportos. Nos últimos 12 meses, 58% dos passageiros recorreram a algum sistema de identificação biométrica, contra 50% em 2025. Entre aqueles que já utilizaram a tecnologia, 87% avaliaram positivamente a experiência.
Outro dado relevante é que 86% dos inquiridos estão dispostos a partilhar informações de imigração digitalmente antes da partida. Além disso, 60% preferem solicitar vistos pela internet, demonstrando o interesse por processos mais simples e rápidos.
Entretanto, a segurança dos dados pessoais continua a ser uma preocupação. Entre as principais reservas relacionadas com a biometria estão os riscos de violação de dados, apontados por 59% dos passageiros, a partilha de informações com outras organizações (49%) e a falta de clareza sobre a utilização dos dados (41%).
Diferenças entre regiões
O estudo também identifica diferenças significativas entre os mercados. Na Europa, 38% dos passageiros afirmam ter sido desencorajados a visitar determinados destinos devido às exigências de imigração. Em África, o índice chega a 52%, enquanto na Ásia-Pacífico alcança 49%.
Os dados reforçam uma tendência no setor da aviação e do turismo: os viajantes estão cada vez mais interessados em experiências digitais, práticas e eficientes, mas continuam a valorizar a facilidade de entrada nos destinos.
Para a IATA, a simplificação dos processos de imigração, a ampliação dos vistos eletrónicos e a adoção de documentos digitais podem contribuir para tornar as viagens internacionais mais acessíveis e fluidas.
Jornal GNewsUSA — BRAZILIANS AROUND THE WORLD
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