Federação Espanhola terá de pagar US$ 20 mil e fechar parte da arquibancada no próximo amistoso em casa; episódio ocorreu em março, em Barcelona, e foi condenado por Lamine Yamal
Por Schirley Passos|GNEWSUSA
A Fifa puniu a Federação Espanhola de Futebol pelos cânticos xenofóbicos entoados por torcedores durante o amistoso entre Espanha e Egito, disputado em 31 de março de 2026, no estádio RCDE, em Barcelona. A entidade determinou o pagamento de uma multa de US$ 20 mil, aproximadamente R$ 101 mil, além do fechamento de parte das arquibancadas no próximo amistoso da seleção espanhola como mandante.
A decisão disciplinar foi tomada em agosto, mas só foi divulgada em outubro, após a rejeição do recurso apresentado pela federação espanhola. A punição está relacionada às manifestações discriminatórias registradas durante a partida, que terminou empatada em 0 a 0 e fazia parte da preparação das duas seleções para a Copa do Mundo de 2026.
Durante o confronto, parte da torcida espanhola entoou cânticos como “quem não pular é muçulmano” e vaiou o hino nacional egípcio antes do início do jogo. As manifestações provocaram repercussão internacional e motivaram a abertura de um processo disciplinar pela Fifa.
Como ocorreram os episódios de discriminação
Os cânticos foram registrados durante o amistoso disputado em Barcelona. Antes do início da partida, parte dos torcedores vaiou o hino nacional egípcio. Durante o jogo, manifestações contra os muçulmanos foram ouvidas, provocando a reação das autoridades responsáveis pela organização do evento.
O sistema de som do estádio alertou os torcedores sobre a proibição de manifestações discriminatórias, enquanto o protocolo de combate à discriminação foi acionado. Os episódios também foram registrados na súmula da partida, contribuindo para a abertura da investigação disciplinar.
A Fifa analisou o caso para determinar a responsabilidade da federação espanhola e estabelecer as sanções cabíveis diante do comportamento de parte do público.
Lamine Yamal condena os cânticos
O episódio ganhou repercussão internacional após a manifestação pública de Lamine Yamal, atacante da seleção espanhola e do Barcelona, que é muçulmano.
O jogador afirmou que os cânticos eram desrespeitosos e intoleráveis. Segundo ele, embora as manifestações fossem dirigidas à equipe adversária e não pessoalmente a ele, utilizar uma religião como provocação em uma partida de futebol representa uma atitude preconceituosa.
Yamal também ressaltou que não se pode responsabilizar toda a torcida pelo comportamento de um grupo, mas condenou aqueles que participaram das manifestações discriminatórias.
A declaração do atacante ampliou o debate sobre a xenofobia e a intolerância religiosa no futebol, reforçando a necessidade de medidas efetivas para combater esse tipo de comportamento nos estádios.
Federação Espanhola contesta a punição
A Federação Espanhola de Futebol contestou a decisão e apresentou recurso, que foi rejeitado pela Fifa. A punição prevê o pagamento de US$ 20 mil e o fechamento de parte das arquibancadas no próximo amistoso da seleção espanhola disputado em casa.
O caso também levantou discussões sobre a responsabilidade das entidades esportivas na prevenção de manifestações discriminatórias. A aplicação de sanções financeiras e restrições de público busca reforçar o compromisso das federações com a segurança e o respeito nos eventos esportivos.
A decisão representa mais um episódio na luta contra a xenofobia e a intolerância religiosa no futebol internacional, colocando em evidência a importância da atuação conjunta de federações, jogadores, autoridades e torcedores para impedir que manifestações preconceituosas sejam tratadas como parte normal do espetáculo esportivo.
Jornal GNewsUSA — BRAZILIANS AROUND THE WORLD
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