França registra mais de 1.300 detenções durante protestos contra o custo de vida

Balanço provisório aponta 1.314 pessoas detidas, 53 agentes de segurança feridos e 24 estabelecimentos comerciais saqueados durante manifestações realizadas em diversas cidades francesas
Por Tatiane Martinelli | GNEWSUSA 

As manifestações realizadas no sábado (24) em diferentes regiões da França terminaram com mais de 1.300 pessoas detidas, segundo dados provisórios divulgados pelo Ministério do Interior francês no domingo (25). Ao todo, foram contabilizadas 1.314 detenções, além de 53 agentes das forças de segurança feridos e 24 estabelecimentos comerciais saqueados.

Os protestos reuniram centenas de milhares de pessoas mobilizadas contra o aumento do custo de vida e em defesa dos serviços públicos. A estimativa de participação variou entre 410 mil pessoas, segundo o governo francês, e 800 mil, de acordo com a Confederação Geral do Trabalho (CGT), uma das principais organizações sindicais do país.

Apesar da dimensão das manifestações, a maior parte dos atos ocorreu de forma pacífica. Entretanto, confrontos entre manifestantes e policiais foram registrados durante a dispersão dos grupos em diferentes cidades, incluindo Paris, Marselha, Nantes, Rennes, Bordeaux, Dijon, Grenoble e Toulouse.

Segurança reforçada

As autoridades francesas ampliaram o esquema de segurança após os episódios de violência e saques registrados no fim de semana anterior, em 17 de outubro. Na ocasião, os distúrbios provocaram danos em estabelecimentos comerciais e prédios públicos, aumentando a preocupação do governo com a possibilidade de novos confrontos.

Na capital, dezenas de veículos policiais e helicópteros acompanharam a movimentação dos manifestantes. O percurso de uma das marchas também foi alterado por determinação das autoridades, que buscavam reduzir os riscos de novos incidentes.

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, afirmou que o reforço policial contribuiu para evitar novos saques e ataques direcionados a edifícios públicos, como prefeituras e delegacias. Ainda assim, a polícia relatou o lançamento de objetos contra agentes e episódios de depredação em algumas localidades.

O balanço divulgado também informou a abertura de 75 investigações relacionadas a incêndios. Até a divulgação dos dados, o ministério não havia apresentado informações completas sobre o número de manifestantes feridos.

Novas mobilizações previstas

Mesmo diante do reforço da segurança e das detenções, a mobilização social deve continuar nos próximos dias. O movimento dos Coletes Amarelos, conhecido por suas reivindicações relacionadas ao poder de compra da população, convocou novos atos para 31 de outubro.

Sindicatos também articulam uma nova mobilização para 5 de novembro, com previsão de greve geral no setor público.

O cenário mantém a pressão sobre o governo francês, que enfrenta manifestações relacionadas às condições econômicas e à qualidade dos serviços públicos. As autoridades seguem monitorando a situação diante da possibilidade de novos protestos e de episódios de violência.

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