Liga aumenta o rigor contra jogadores que usam o braço para afastar defensores; primeira marcação envolvendo Scottie Barnes divide opiniões
Por Schirley Passos |GNEWSUSA
A NBA iniciou a pré-temporada de 2026/2027 com uma mudança de orientação na arbitragem que já provoca discussão entre jogadores, torcedores e analistas. A liga determinou que os árbitros tenham atenção especial ao chamado “off-arm push-off”, movimento em que o jogador utiliza o braço livre para afastar o marcador e criar espaço durante uma jogada ofensiva.
A prática não é uma infração criada agora. O que mudou para a temporada 2026/2027 é a ênfase dada pela NBA à marcação desse tipo de contato, com orientação para que os árbitros sejam mais rigorosos quando o atacante usar o braço de maneira excessiva para obter vantagem. A própria liga publicou vídeos com exemplos e explicações antes do início da pré-temporada.
A primeira demonstração prática aconteceu logo no jogo entre Toronto Raptors e Miami Heat, no último sábado (3). Scottie Barnes foi punido com uma falta ofensiva após estender o braço para criar separação de Klay Thompson. O lance ocorreu nos primeiros minutos da partida, vencida pelo Miami por 129 a 105, e rapidamente virou assunto entre os fãs da liga.
Lance de Barnes coloca nova interpretação em evidência
Barnes recebeu a marcação ao tentar criar espaço diante de Thompson. O ala-pivô utilizou o braço que estava mais distante da bola para afastar o defensor, e a arbitragem considerou que o movimento ultrapassou o limite permitido.
A jogada chamou atenção justamente porque movimentos semelhantes fazem parte do repertório de diversos jogadores ofensivos da NBA. Para a liga, porém, existe uma diferença entre usar o braço para sentir a posição do adversário ou proteger o espaço ocupado e estendê-lo para deslocar o defensor.
A NBA afirma que o objetivo é reduzir vantagens consideradas desproporcionais e tornar mais clara a disputa entre ataque e defesa. James Jones, vice-presidente executivo de operações de basquete da liga, explicou que a mudança faz parte de uma série de pontos de atenção definidos para a nova temporada.
Barnes questiona consistência das marcações
Depois da derrota para o Heat, Barnes demonstrou desconforto com a forma como algumas infrações são marcadas. O jogador afirmou que considera difícil entender por que determinados contatos são punidos enquanto outros, aparentemente semelhantes, não recebem a mesma interpretação.
O comentário alimentou uma das principais discussões em torno da mudança: até que ponto a nova orientação será aplicada de maneira uniforme por todos os árbitros e a todos os jogadores?
Essa preocupação ganhou força nas redes sociais porque torcedores passaram a citar estrelas que utilizam frequentemente o braço livre durante infiltrações e movimentos para criar espaço.
Shai Gilgeous-Alexander vira referência na discussão
Um dos nomes mais mencionados nas discussões é o de Shai Gilgeous-Alexander, considerado um dos principais especialistas da NBA em criar separação dos defensores durante suas ações ofensivas.
A dúvida dos torcedores é se jogadores com características semelhantes serão igualmente penalizados quando utilizarem o braço para afastar marcadores.
Ainda é cedo para avaliar o impacto da orientação sobre o desempenho de estrelas da liga. A pré-temporada servirá justamente para que jogadores e equipes se adaptem ao critério mais rigoroso antes do início da temporada regular, marcado para 20 de outubro.
O que será permitido?
A NBA não proibiu o atacante de utilizar o braço durante a disputa. O jogador continuará podendo usar o membro para perceber a posição do defensor, proteger seu espaço e manter estabilidade, desde que não transforme esse contato em um movimento destinado a deslocar o adversário.
Na avaliação dos árbitros, alguns fatores serão determinantes:
- Firmeza do contato;
- Força utilizada no movimento;
- Extensão do braço;
- Efeito provocado sobre o defensor;
- Contexto e interpretação do lance pela arbitragem.
A regra oficial da NBA já prevê que um jogador não pode impedir o avanço de um adversário utilizando de maneira ilegal a mão, o braço, a perna ou o corpo. A novidade está principalmente no reforço da aplicação desse princípio durante as jogadas ofensivas.
Mudança faz parte de uma série de pontos de atenção
O uso do braço livre não é o único comportamento que estará sob maior observação na temporada 2026/2027. A NBA também orientou seus árbitros a aumentar a atenção sobre bloqueios ilegais, liberdade de movimento e contatos que interferem na movimentação dos jogadores sem a bola.
A liga vem adotando nos últimos anos medidas para reduzir ações consideradas artificiais ou que proporcionem vantagens indevidas, especialmente em situações nas quais jogadores procuram provocar contatos para obter faltas.
A estratégia também ocorre em um momento de grande produção ofensiva. Na temporada 2025/2026, as equipes tiveram média de 115,6 pontos por partida, o maior índice da NBA desde a temporada 1969/1970. O objetivo da nova orientação não é necessariamente diminuir a pontuação, mas impedir que determinadas técnicas ofensivas sejam utilizadas para criar vantagens consideradas ilegais.
Pré-temporada será período de adaptação
A NBA terá agora um período para avaliar como a nova orientação funcionará na prática. Os árbitros precisarão encontrar um equilíbrio entre punir o uso ilegal do braço e não interromper excessivamente o fluxo das partidas.
O desafio será especialmente grande porque o contato físico faz parte da dinâmica do basquete profissional. Um mesmo movimento pode ser considerado legítimo em determinada situação e infração em outra, dependendo da intensidade, da extensão do braço e do impacto sobre o defensor.
Por isso, a principal preocupação neste início de temporada é a consistência das marcações. O caso de Scottie Barnes mostrou que a NBA pretende aplicar a orientação desde a pré-temporada, mas os próximos jogos indicarão se o critério será mantido de maneira uniforme.
A temporada regular começa em 20 de outubro de 2026, quando a nova orientação passará a ser testada em partidas oficiais. Até lá, jogadores e equipes terão de ajustar seus movimentos ofensivos para evitar que a busca por espaço resulte em faltas de ataque.
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