Relator quer apurar possíveis conflitos de interesse, vínculos empresariais e relações financeiras envolvendo o Banco Master
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado no Senado Federal, deve apresentar na próxima semana requerimentos para a quebra de sigilos bancário, fiscal e societário de empresas e pessoas físicas relacionadas ao Banco Master e a familiares de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
A iniciativa busca incluir formalmente o caso do Banco Master no escopo da comissão, diante de indícios que apontam para eventuais práticas de lavagem de dinheiro, conflitos de interesse e uso de estruturas empresariais para movimentações financeiras atípicas.
Entre os pontos que devem ser analisados estão participações indiretas de familiares do ministro Dias Toffoli em dois resorts de alto padrão no Paraná, ligados à rede Tayayá. As cotas estariam vinculadas a fundos de investimento associados à instituição financeira, levantando questionamentos sobre a relação entre negócios privados de parentes de autoridades e decisões judiciais envolvendo o banco.
O relator pretende esclarecer se existe potencial conflito de interesses, considerando que Toffoli é relator de ações relacionadas ao Banco Master no STF, ao mesmo tempo em que pessoas próximas teriam mantido vínculos empresariais com empreendimentos ligados à instituição.
Outro eixo da apuração envolve o escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci, que teria sido contratado pelo Banco Master para prestação de serviços jurídicos em um contrato de alto valor. A CPI busca verificar a regularidade da contratação, os critérios adotados e possíveis conexões com outros fatos sob investigação.
Para Alessandro Vieira, o Senado tem competência constitucional para aprofundar esse tipo de apuração, especialmente quando há indícios de interseção entre o sistema financeiro, estruturas empresariais complexas e autoridades com poder decisório.
Os pedidos de quebra de sigilo também funcionam como uma medida preventiva diante da possibilidade de instalação de uma CPI específica do Banco Master, que já conta com o número mínimo de assinaturas. A abertura dessa nova comissão, no entanto, depende de deliberação do presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União-AP).
Instalada em novembro do ano passado, a CPI do Crime Organizado investiga lavagem de dinheiro, corrupção, ocupação de territórios e atuação de organizações criminosas. Segundo o relator, há elementos suficientes para conectar o caso do Banco Master aos eixos centrais da investigação.
No centro das apurações estão fundos de investimento, intermediários financeiros e empresários que teriam atuado na estruturação de negócios envolvendo o banco. Um dos nomes citados em investigações é o do empresário Fabiano Zettel, ligado ao controlador da instituição, Daniel Vorcaro, que chegou a ser alvo de operação da Polícia Federal.
Em relação aos empreendimentos no Paraná, pessoas ligadas aos cotistas negaram irregularidades e sustentam que as operações seguiram parâmetros legais, embora reconheçam que a complexidade das estruturas financeiras exige esclarecimentos adicionais.
A CPI pretende agora reunir documentos, cruzar dados e ouvir envolvidos para definir se há irregularidades formais ou apenas relações empresariais sem ilicitude, em um caso que promete tensionar novamente a relação entre o Legislativo e o Judiciário.
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