Governador de Minas Gerais cita mensagem atribuída a Daniel Vorcaro enviada no dia da prisão do banqueiro
De Ana Raquel |GNEWSUSA
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, afirmou que pretende ir a Brasília nos próximos dias para protocolar um pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A decisão foi anunciada após a divulgação de informações sobre uma suposta troca de mensagens entre o magistrado e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, investigado em um escândalo bilionário apurado pela Polícia Federal.
De acordo com informações divulgadas, registros encontrados no celular pessoal de Vorcaro indicariam que o empresário enviou uma mensagem ao ministro em 17 de novembro do ano passado, data em que ocorreu sua prisão no âmbito das investigações. No conteúdo da conversa, o banqueiro teria perguntado se havia alguma novidade sobre o caso e se teria sido possível “bloquear” alguma medida relacionada à operação.
O ministro teria respondido logo em seguida. No entanto, as mensagens teriam sido enviadas com o recurso de visualização única, ferramenta que impede o armazenamento permanente do conteúdo, o que dificulta a recuperação integral da conversa.
O registro da troca de mensagens teria sido identificado pela Polícia Federal durante a análise do aparelho celular do empresário, apreendido no curso das investigações.
Zema fala em questionamento institucional
Em declaração, Romeu Zema afirmou considerar grave a possibilidade de contato entre um ministro do Supremo e um investigado em um processo de grande repercussão nacional. Segundo o governador, a situação exige esclarecimentos e pode justificar a abertura de um processo de responsabilização.
“Estou entrando na segunda-feira com o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes. Ele não tem condição de permanecer no cargo depois da revelação de que trocou mensagens com Daniel Vorcaro no dia da prisão do banqueiro. Juízes do Supremo devem estar acima de qualquer suspeita, submetidos à lei e à transparência, como todos os cidadãos”, declarou.
Mais cedo, o governador também havia feito críticas aos integrantes do Supremo Tribunal Federal em uma publicação nas redes sociais, na qual afirmou que as instituições precisam prestar contas à sociedade.
Parlamentares da oposição pressionam por impeachment
Após a divulgação do caso, parlamentares ligados à oposição passaram a defender publicamente a abertura de um processo de impeachment contra o ministro no Senado Federal, instância responsável por julgar integrantes do STF em casos de crime de responsabilidade.
O deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) afirmou que as revelações precisam ser apuradas com rigor e que o Congresso não pode ignorar a gravidade das informações.
Já o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) declarou que as denúncias levantam questionamentos sobre a relação entre autoridades e investigados em processos de grande impacto nacional.
Outro parlamentar que se manifestou foi o deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), líder da oposição na Câmara dos Deputados. Em publicação nas redes sociais, ele informou que pretende protocolar um novo pedido de impeachment contra o ministro no Senado Federal.
Segundo o deputado, as informações divulgadas levantam dúvidas sobre a conduta esperada de um integrante da Suprema Corte.
“O que foi revelado nas últimas horas levanta questionamentos sérios e incompatíveis com a postura que se espera de um ministro do Supremo Tribunal Federal. Um magistrado não pode manter comunicação com investigados em casos dessa gravidade, pois isso coloca em risco a imparcialidade exigida pelo cargo e afeta diretamente a credibilidade das instituições”, afirmou.
Como funciona o impeachment de ministro do STF
Pela Constituição brasileira, ministros do Supremo Tribunal Federal podem responder por crime de responsabilidade. O pedido de impeachment deve ser protocolado no Senado Federal, que é responsável por analisar a admissibilidade da denúncia e decidir sobre a abertura do processo.
Até o momento, não houve manifestação pública do ministro Alexandre de Moraes sobre as declarações feitas por autoridades políticas após a divulgação das mensagens. As investigações relacionadas ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro seguem em andamento nas autoridades responsáveis pelo caso.
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