Novos bombardeios elevam tensão no Oriente Médio, ampliam riscos para o comércio global de energia e aumentam pressão política sobre o governo dos Estados Unidos
Por Gilvania Alves|GNEWSUSA
O governo dos Estados Unidos voltou a lançar ataques contra posições iranianas na madrugada desta quarta-feira (22), intensificando uma campanha militar que já chega à 11ª noite consecutiva. A nova ofensiva ocorreu poucas horas depois de o presidente Donald Trump declarar que o confronto ainda está distante de um desfecho, enquanto o sistema de defesa antiaérea de Teerã foi acionado para responder às investidas.
Segundo informações do comando militar americano, as operações continuam voltadas para instalações estratégicas do Irã. O objetivo, de acordo com a justificativa oficial, é “continuar reduzindo a capacidade do Irã de ameaçar o tráfego marítimo comercial no Estreito de Ormuz”, uma das rotas mais importantes para o transporte mundial de petróleo e derivados.
Durante novas declarações, Trump voltou a endurecer o discurso e indicou que poderá ordenar novas ações militares em curto prazo, incluindo contra um complexo nuclear subterrâneo situado em uma região montanhosa do centro do país. Ao comentar a continuidade da ofensiva, o presidente reafirmou: “a guerra contra o Irã ainda não terminou”.
A atual escalada das hostilidades começou em 7 de julho, após o rompimento de um período de redução dos confrontos firmado em junho. No entanto, o conflito entre as partes teve início em 28 de fevereiro, quando Israel e Estados Unidos realizaram ataques conjuntos contra território iraniano. Desde então, houve apenas um breve cessar-fogo registrado em abril.
Os reflexos da guerra já ultrapassam o Golfo Pérsico. No Mar Vermelho, outra rota essencial para o comércio internacional, os rebeldes huthis, do Iêmen e aliados de Teerã, anunciaram o bloqueio da passagem de embarcações ligadas à Arábia Saudita. A decisão foi criticada pelo Paquistão, parceiro de Riade e mediador informal nas conversas entre iranianos e americanos, que classificou a medida como “inaceitável”.
Apesar da continuidade das operações militares, Washington afirma que ainda busca uma solução negociada. Durante reunião de chanceleres do Sudeste Asiático, nas Filipinas, o secretário de Estado Marco Rubio declarou: “O problema que enfrentamos atualmente é que eles não estão levando as negociações a sério”.
Rubio também alertou para os impactos estratégicos da disputa, afirmando que permitir ao Irã exercer controle sobre o Estreito de Ormuz criaria um “precedente muito perigoso”, com consequências para além do Oriente Médio e possíveis efeitos sobre a segurança energética mundial.
Enquanto isso, a guerra também provoca repercussões na política interna americana. Com as eleições legislativas marcadas para novembro, aumentam os questionamentos sobre os custos da operação. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, informou ao Congresso que os gastos militares já ultrapassam US$ 37,5 bilhões e solicitou autorização para mais US$ 67 bilhões destinados à continuidade das ações.
Do lado iraniano, a televisão estatal confirmou o acionamento das defesas aéreas em Teerã. A agência oficial Irna também relatou explosões em Bushehr, onde está localizada a única usina nuclear civil do país, além de registros de ataques em áreas do sul e do noroeste iraniano. Em resposta, Teerã mantém o bloqueio ao Estreito de Ormuz e prossegue com ações contra embarcações e aliados regionais dos Estados Unidos.
Outros países da região também seguem em estado de alerta. A Jordânia informou ter interceptado quatro mísseis iranianos, enquanto outros dois caíram em uma área desabitada, sem deixar vítimas. Já o Kuwait anunciou a derrubada de drones classificados pelas autoridades como “hostis”.
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