Anvisa aprova novo medicamento para epilepsia grave e amplia esperança para pacientes com crises de difícil controle

Cenobamato, comercializado como XCOPRI, apresenta redução de até 65% na frequência das crises e pode beneficiar pacientes que não respondem às terapias tradicionais
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um novo medicamento indicado para o tratamento de epilepsia de difícil controle no Brasil. O fármaco, conhecido como cenobamato e comercializado sob o nome XCOPRI, deve começar a ser disponibilizado no país a partir de 2026 e representa uma nova alternativa terapêutica para pacientes que não respondem adequadamente aos tratamentos convencionais.

O registro foi anunciado pela farmacêutica Eurofarma, responsável pela comercialização do medicamento na América Latina após licenciamento da empresa sul-coreana SK Biopharmaceuticals. A expectativa é de que o novo tratamento ajude a reduzir a frequência das crises epilépticas em pacientes com epilepsia focal, forma mais comum da doença.

Nova opção para epilepsia farmacorresistente

A aprovação do cenobamato é considerada um avanço para pacientes diagnosticados com epilepsia farmacorresistente — condição em que as crises não são controladas mesmo após o uso de diferentes medicamentos antiepilépticos.

Estudos clínicos apontam que o tratamento com dose de 400 mg do medicamento levou a uma redução mediana de cerca de 65% na frequência das crises epilépticas. O resultado é considerado expressivo pela comunidade médica, especialmente em casos considerados graves ou refratários.

Outro dado que chama atenção é o percentual de pacientes que atingiram a chamada “liberdade de crises”. Nos testes, até 28,3% dos participantes chegaram ao estágio de não apresentar novos episódios durante o tratamento. Em comparação, terapias convencionais conseguem esse resultado em cerca de 4% dos pacientes após múltiplas tentativas com diferentes medicamentos.

Como o medicamento atua no cérebro

O diferencial do cenobamato está no seu mecanismo de ação duplo. O medicamento atua bloqueando canais de sódio nos neurônios — o que reduz a propagação da atividade elétrica anormal responsável pelas crises — e também potencializa a ação do neurotransmissor GABA, responsável por reduzir a atividade excessiva do cérebro.

Essa combinação ajuda a estabilizar a atividade neuronal e diminuir a ocorrência de crises epilépticas.

Resultados mantidos a longo prazo

Além dos ensaios clínicos controlados, estudos publicados em 2025 que acompanharam pacientes em condições reais de tratamento confirmaram a eficácia sustentada do medicamento.

Após dois anos de uso, cerca de 80% dos pacientes mantiveram uma redução igual ou superior a 50% na frequência das crises. Os dados também apontaram que muitos pacientes conseguiram simplificar o tratamento, reduzindo a quantidade de medicamentos utilizados simultaneamente.

Impacto para a saúde pública

Especialistas apontam que a chegada do novo medicamento pode ajudar a reduzir a lacuna terapêutica existente no país. Estimativas indicam que entre 2 e 3 milhões de brasileiros convivem com epilepsia.

Na América Latina, o cenário também preocupa: mais de 60% dos cerca de 6 milhões de pacientes não recebem tratamento adequado ou não conseguem controlar as crises com os medicamentos atualmente disponíveis.

Com a aprovação pela Anvisa, o cenobamato se soma às terapias disponíveis para ampliar as opções de tratamento e melhorar a qualidade de vida de pessoas que convivem com formas graves da doença.

A Eurofarma informou ainda que o medicamento já recebeu aprovação regulatória em outros países da região, como Argentina, Chile, Equador e Peru, consolidando a estratégia de expansão da companhia na área de tratamentos voltados ao sistema nervoso central.

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