Auditora admitiu ter mudado seu voto após ouvir gravação irregular utilizada pela defesa do Internacional; clube reconhece erro, nega má-fé e promete recorrer da decisão
Por Schirley Passos|GNEWSUSA
O julgamento do zagueiro Victor Gabriel, do Internacional, no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), ganhou um novo desdobramento após a revelação de que um áudio falso apresentado pela defesa do jogador influenciou diretamente o resultado da sessão.
A utilização da gravação, produzida por um perfil de paródia nas redes sociais e apresentada como se fosse a comunicação oficial entre o árbitro e a cabine do VAR, levou uma das auditoras a alterar seu voto, contribuindo para a aplicação de uma punição mais severa ao atleta.
Victor Gabriel foi suspenso até que o atacante Gabriel Pec, do Cruzeiro, esteja apto a retornar aos treinamentos, respeitando o limite máximo de 180 dias. O defensor foi julgado pela falta que provocou a fratura na perna esquerda do adversário durante a partida entre Internacional e Cruzeiro, disputada em 22 de julho, no Beira-Rio.
Inicialmente, os auditores concordaram de forma unânime com a pena mínima prevista de seis partidas de suspensão. No entanto, durante a análise do agravante que permitia ampliar a punição conforme o tempo de recuperação da vítima, a auditora Aline Jatahy revelou que modificou seu entendimento após considerar o conteúdo apresentado pela defesa.
Segundo ela, antes da sessão estava inclinada a acompanhar o voto do relator, favorável apenas à suspensão mínima. Entretanto, a apresentação da suposta comunicação do VAR fez com que acompanhasse a corrente que defendia a punição estendida.
A mudança foi decisiva para o resultado do julgamento. Caso a auditora mantivesse seu posicionamento inicial, a votação sobre a aplicação do agravante terminaria empatada. Especialistas em Direito Desportivo explicam que, em situações como essa, prevalece a interpretação mais favorável ao réu, o que faria Victor Gabriel cumprir apenas as seis partidas de suspensão aprovadas por unanimidade.
Após a repercussão do caso, foi confirmado que o áudio utilizado pela defesa não era oficial. O material havia sido produzido como uma paródia e circulava nas redes sociais. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) informou que nem Internacional nem Cruzeiro solicitaram formalmente os áudios oficiais do VAR referentes à partida.
Diante da descoberta, o Internacional e o escritório de advocacia responsável pela defesa divulgaram uma nota conjunta reconhecendo o equívoco na utilização do conteúdo. Segundo o comunicado, o áudio foi obtido nas redes sociais e utilizado sem que sua autenticidade fosse devidamente verificada.
O clube e os advogados afirmaram que não houve qualquer intenção de induzir o tribunal ao erro ou agir de má-fé. Assim que a inconsistência foi identificada, solicitaram a retirada do material do processo e reafirmaram o compromisso com a ética, a transparência e o respeito às instituições que administram o futebol brasileiro.
Apesar do reconhecimento da falha, o vice-presidente jurídico do Internacional, Jorge Oliveira Filho, declarou que a utilização do áudio não foi determinante para a condenação, argumentando que já havia votos favoráveis à aplicação da punição mais severa antes da manifestação da auditora.
O Internacional informou que recorrerá da decisão do STJD e continuará oferecendo suporte jurídico ao defensor durante as próximas etapas do processo disciplinar.
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