Trump ameaça Irã após ataque contra forças americanas

Washington endurece pressão sobre Teerã após nova escalada militar no Oriente Médio e alerta sobre impacto nas rotas de petróleo
Por Gilvania Alves|GNEWSUSA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (29) que o Irã sofrerá uma resposta dura após um ataque com mísseis contra bases americanas na Jordânia. A declaração aumentou a tensão no Oriente Médio e ocorreu no mesmo dia em que Washington anunciou novas sanções contra empresas iranianas acusadas de ligação com a Guarda Revolucionária Islâmica, braço ideológico das forças armadas do país.

“Vamos acertá-los com força, eles vão levar uma surra”, declarou Donald Trump ao comentar uma possível reação americana contra o Irã.

A fala do presidente americano elevou as preocupações sobre uma nova escalada militar na região, após um período de relativa redução nos confrontos. O cenário voltou a se agravar com uma sequência de ataques envolvendo grupos aliados ao Irã, forças dos Estados Unidos e países parceiros de Washington.

Antes do anúncio das novas medidas econômicas, Estados Unidos e Arábia Saudita realizaram bombardeios contra grupos armados no Iraque. As ações ocorreram após autoridades sauditas relatarem ataques com drones contra instalações petrolíferas do país durante dois dias consecutivos.

Em resposta, o Irã lançou mísseis contra bases militares americanas localizadas na Jordânia, aumentando o risco de uma reação mais ampla por parte de Washington e seus aliados.

A Guarda Revolucionária Iraniana afirmou que continuará respondendo caso o país seja alvo de novas ofensivas. Em comunicado divulgado nesta quarta-feira, o grupo declarou: “Enquanto continuarem as ameaças contra a República Islâmica do Irã (…) a resistência continuará”.

O grupo Resistência Islâmica no Iraque, aliado de Teerã, também afirmou que uma resposta aos ataques americanos e sauditas seria inevitável. Entre os mortos registrados em um bombardeio na província de Diyala, no centro do Iraque, estavam cinco iranianos que integravam o Hachd al-Chaabi, uma coalizão de grupos armados apoiados pelo Irã.

O governo iraquiano condenou as ofensivas e classificou os ataques como uma violação da soberania nacional. A presidência do país afirmou que as ações eram “inaceitáveis” e representavam uma “flagrante violação da soberania”.

O Exército dos Estados Unidos informou que os ataques realizados no Iraque tiveram como alvo instalações utilizadas para armazenamento de armas e estruturas de apoio logístico de grupos armados.

EUA anunciam novas sanções contra empresas iranianas

Além da pressão militar, os Estados Unidos ampliaram as medidas econômicas contra o Irã. O Departamento de Estado e o Departamento do Tesouro americano anunciaram sanções contra duas empresas iranianas: a Persian Gulf Marine Insurance Company e a HormuzSafe Marine Services Authority.

Segundo o governo americano, as empresas teriam ligação com a Guarda Revolucionária e estariam envolvidas em um sistema de cobrança de garantias para navios que circulam pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo.

Em comunicado, as autoridades americanas afirmaram:

“Essas entidades criam riscos artificiais – incluindo a ameaça de apreensão de navios – e depois cobram dos navios comerciais por uma cobertura contra perigos criados pelo próprio regime, gerando assim receitas para o Irã”.

Washington também anunciou sanções contra oito empresas responsáveis por operar embarcações utilizadas no transporte de petróleo bruto e produtos petroquímicos iranianos para países como China e Emirados Árabes Unidos.

De acordo com o governo americano, esses navios fazem parte da chamada “frota fantasma iraniana”, utilizada por Teerã para tentar contornar restrições internacionais contra seu setor energético.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que a situação econômica do Irã aumentou a necessidade do governo de buscar recursos financeiros.

“Com uma economia em queda livre e uma inflação de três dígitos, o regime precisa desesperadamente de liquidez”, declarou Bessent.

Disputa pelo Estreito de Ormuz aumenta preocupação global

A crise também aumentou a atenção internacional sobre o Estreito de Ormuz, uma passagem estratégica entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã por onde circulava uma parcela significativa do petróleo mundial antes da intensificação do conflito.

A Guarda Revolucionária afirmou que havia atacado e apreendido três navios petroleiros na região e declarou ter “controle total” da rota marítima.

A possibilidade de interrupção no transporte de petróleo provocou reação nos mercados internacionais. Os preços da commodity chegaram a subir mais de 5% durante o dia, impulsionados pelo temor de que novos confrontos prejudiquem o abastecimento global. Posteriormente, a alta recuou para aproximadamente 4,6%.

Com o aumento das tensões no Golfo Pérsico, o Mar Vermelho ganhou ainda mais importância como alternativa para o transporte internacional de petróleo e mercadorias. A região, porém, também enfrenta instabilidade devido à atuação dos rebeldes houthis, grupo apoiado pelo Irã que controla áreas do Iêmen.

Houthis ampliam ameaças sobre rotas marítimas

O ministro da Informação do governo do Iêmen, Moammar al Eryani, afirmou que os houthis pretendem estabelecer um sistema de cobrança de taxas para navios que utilizam o Estreito de Bab al-Mandeb, passagem estratégica que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden.

Segundo o ministro, a Guarda Revolucionária iraniana estaria apoiando a iniciativa, aumentando a preocupação de países que dependem dessas rotas para o comércio internacional.

A nova rodada de confrontos coloca o Oriente Médio novamente no centro das atenções diplomáticas e econômicas mundiais. Enquanto os Estados Unidos aumentam a pressão sobre Teerã com sanções e ameaças militares, o Irã e seus aliados afirmam que continuarão reagindo contra ações que consideram ofensivas.

O avanço da crise mantém governos e mercados internacionais em alerta diante do risco de uma expansão do conflito para outras áreas estratégicas da região.

Leia mais 

ICE Boston prende imigrante da Guatemala acusado de crimes sexuais em Massachusetts

Brasileira de 21 anos é morta a tiros nos Estados Unidos; ex-namorado é preso

Internacional e Flamengo fazem duelo decisivo na 21ª rodada do Brasileirão

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*