Defesa cita contratos legais, mas registros de voos e valores milionários aumentam pressão por esclarecimentos
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
A advogada Viviane Barci de Moraes afirmou na quarta-feira (1º de abril de 2026) que utilizou aeronaves privadas vinculadas ao empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e que os custos dessas viagens foram quitados por meio de compensação de honorários advocatícios, conforme previsto em contrato.
A declaração surge após apontamentos de que o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados contratou voos executivos entre maio e outubro de 2025. Ao todo, teriam sido realizadas oito viagens em jatos particulares, sendo sete delas em aeronaves operadas pela empresa Prime Aviation, que atua no segmento de compartilhamento de bens de luxo e na qual Vorcaro possuía participação indireta.
Segundo a defesa, não houve irregularidade nas contratações, destacando que o escritório utiliza diferentes serviços de táxi aéreo conforme critérios operacionais. Ainda de acordo com a nota, os pagamentos foram realizados por meio de compensação contratual de honorários, prática prevista nos acordos firmados entre as partes.
O escritório também ressaltou que, em nenhum dos voos realizados, estiveram presentes Daniel Vorcaro ou pessoas diretamente ligadas a ele, afastando qualquer relação pessoal nas viagens. A contratação, segundo a defesa, seguiu parâmetros técnicos e não envolveu favorecimentos.
Gabinete de Moraes nega viagens, mas caso amplia pressão por explicações
Em meio à repercussão, o gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, divulgou nota negando que ele tenha utilizado aeronaves ligadas ao empresário.
A assessoria classificou as informações como “absolutamente falsas” e afirmou que o ministro “jamais viajou” nessas aeronaves. Apesar da negativa, registros e elementos do caso continuam levantando dúvidas e ampliando a pressão por esclarecimentos, especialmente diante das conexões envolvendo os voos e contratos investigados.
Voo específico levanta questionamentos
Apesar das negativas, um dos episódios do caso chama atenção. Em 7 de agosto de 2025, registros indicam que Alexandre de Moraes e Viviane Barci teriam embarcado em um voo de Brasília para São Paulo em uma aeronave distinta das demais utilizadas.
O avião em questão, um Falcon 2000, pertence a uma empresa identificada como FSW SPE — que, segundo informações disponíveis, não possui autorização para operar como táxi aéreo. Entre os sócios da aeronave estaria Fabiano Zettel, apontado como ligado ao círculo empresarial de Vorcaro.
A presença dos nomes no registro de voo, somada à ausência de autorização formal da aeronave para esse tipo de serviço, passou a ser um dos principais pontos de questionamento no caso.
Relação com o Banco Master
O contexto ganha ainda mais relevância diante da situação do Banco Master. A instituição foi alvo de intervenção do Banco Central do Brasil, que determinou sua liquidação em novembro de 2025.
Dados que circulam desde o fim daquele ano indicam que o escritório de Viviane Barci recebeu R$ 80,2 milhões ao longo de 22 meses por serviços prestados ao banco. O valor foi calculado com base em cláusulas contratuais que previam remuneração contínua pelos serviços jurídicos.
Debate sobre legalidade e conflito de interesses
O caso passou a gerar debates no meio jurídico e político, especialmente sobre a legalidade da compensação de honorários com serviços e o potencial conflito de interesses, intensificando cobranças por maior transparência envolvendo agentes públicos e seus familiares.
Especialistas apontam que esse tipo de compensação pode ser permitido, desde que formalizado em contrato e devidamente registrado, mas ressaltam que situações envolvendo agentes públicos ou seus familiares exigem nível elevado de transparência.
Enquanto isso, as versões seguem divergentes: de um lado, a defesa sustenta a regularidade das operações; de outro, registros e elementos do caso continuam levantando dúvidas e ampliando a pressão por esclarecimentos sobre a natureza e a forma das viagens realizadas.
O episódio segue em apuração e pode ter novos desdobramentos, tanto na esfera jurídica quanto política.
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