China e Rússia vetam resolução da ONU sobre Estreito de Hormuz

Conselho de Segurança rejeita proposta para proteger navegação em rota marítima estratégica em meio a tensão no Oriente Médio

Por Tatiane Martinelli |

O Conselho de Segurança das Nações Unidas não aprovou uma resolução nessa terça‑feira (7) que buscava coordenar esforços para garantir a segurança da navegação no Estreito de Hormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo. A proposta, patrocinada pelo Bahrein e apoiada por 11 dos 15 membros do Conselho, foi bloqueada pelo veto exercido por China e Rússia — dois dos cinco membros permanentes com poder de veto na ONU. 

A resolução em debate visava encorajar países a trabalharem juntos para proteger o tráfego comercial e a passagem de embarcações pelo estreito, que responde por cerca de um quinto do transporte global de petróleo e gás. A proposta passou por várias revisões e acabou sendo reduzida para enfatizar medidas defensivas e coordenação internacional, sem autorizar explicitamente o uso de força militar. 

O que estava em jogo

O Estreito de Hormuz, localizado entre o Irã e a Península Arábica, tornou‑se um ponto crítico de preocupação global nos últimos meses devido às tensões crescentes no Oriente Médio. O Irã controlou parcialmente a passagem de navios em meio ao conflito regional mais amplo, impactando o trânsito de petróleo e elevando os preços de energia internacionalmente. 

O texto vetado na ONU originalmente encorajava uma coordenação entre Estados que dependem da rota para garantir a segurança de navios comerciais e evitar interrupções no abastecimento mundial. Apesar de receber apoio da maioria dos integrantes do Conselho, a proposta não avançou devido aos vetos de Moscou e Pequim. 

Posicionamentos internacionais

Autoridades da China e da Rússia argumentaram anteriormente que soluções diplomáticas e políticas eram preferíveis às ações que pudessem envolver confrontos ou escaladas militares, defendendo negociações e cessar‑fogo como caminho para restaurar a normalidade no Estreito de Hormuz. 

Por outro lado, países que apoiaram a resolução ressaltaram a importância de retomar a livre circulação de mercadorias pela rota estratégica, que é vital para o comércio global de energia. 

O impacto da decisão

Com o veto, a ONU permanece sem um instrumento coletivo para coordenar medidas de proteção à navegação em Hormuz, deixando a situação dependente de negociações bilaterais e esforços diplomáticos entre países envolvidos no conflito e atores internacionais. O estreito continua sendo uma zona de grande importância para a economia global e um foco de atenção geopolítica nas próximas semanas.

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