Tecnologia desenvolvida pela Universidade Estadual de Campinas utiliza amido de milho para criar dispositivo que desobstrui artérias e desaparece no organismo
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
Uma inovação promissora desenvolvida por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas pode transformar o tratamento de doenças cardiovasculares no Brasil e no mundo. Trata-se de um stent bioabsorvível feito à base de amido de milho, capaz de manter artérias abertas durante o processo de cicatrização e, posteriormente, ser completamente absorvido pelo organismo — eliminando a necessidade de implantes metálicos permanentes.
O que é o stent bioabsorvível
O stent é um pequeno tubo utilizado para desobstruir artérias, especialmente em pacientes com Doença arterial coronariana. Tradicionalmente, esses dispositivos são feitos de metal e permanecem no corpo de forma definitiva.
A inovação da Unicamp rompe com esse modelo ao introduzir um stent produzido a partir de amido de milho — um material natural, biocompatível e capaz de se degradar gradualmente no organismo.
Como funciona a tecnologia
O dispositivo atua como um suporte temporário dentro da artéria:
- Mantém o vaso aberto após procedimentos como angioplastia
- Auxilia na regeneração do tecido vascular
- Após cumprir sua função, começa a se degradar
- É completamente absorvido pelo corpo ao longo do tempo
Esse processo reduz riscos associados a implantes permanentes, como inflamações crônicas e rejeição.
Principais vantagens
1. Biocompatibilidade
O uso do amido de milho minimiza reações adversas, já que o material é mais facilmente aceito pelo organismo.
2. Bioabsorção
Diferente dos stents convencionais, o dispositivo “desaparece” após a recuperação da artéria, evitando complicações de longo prazo.
3. Redução de inflamações
A ausência de um corpo estranho permanente diminui o risco de inflamações crônicas e formação de coágulos.
4. Restauração da função natural
Com a dissolução do stent, a artéria recupera sua elasticidade original — algo que não ocorre com dispositivos metálicos.
Um avanço na medicina regenerativa
A tecnologia se insere no campo da Medicina regenerativa, que busca estimular o próprio corpo a se recuperar, em vez de depender de soluções artificiais permanentes.
Especialistas apontam que esse tipo de abordagem representa o futuro dos tratamentos cardiovasculares, especialmente em casos onde a intervenção temporária é suficiente para restaurar a saúde do vaso sanguíneo.
Impacto no tratamento de doenças cardíacas
As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde. Tecnologias como o stent bioabsorvível podem:
- Reduzir complicações pós-cirúrgicas
- Diminuir a necessidade de medicamentos prolongados
- Melhorar a qualidade de vida dos pacientes
Próximos passos
Embora os resultados iniciais sejam promissores, o dispositivo ainda precisa avançar em etapas de validação clínica antes de chegar ao uso em larga escala. Isso inclui testes em humanos, aprovação regulatória e produção em escala industrial.
Um marco da ciência brasileira
A criação do stent à base de milho reforça o papel do Brasil na inovação em saúde, mostrando que soluções acessíveis e sustentáveis podem surgir de pesquisas nacionais.
Se confirmado em larga escala, o dispositivo poderá não apenas reduzir custos no sistema de saúde, mas também posicionar o país como referência global em tecnologia biomédica.
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