Mendonça afirma que relação entre Ciro Nogueira e Vorcaro vai além de amizade

Ministro do STF cita indícios de pagamentos, viagens e hospedagens de luxo bancadas pelo fundador do Banco Master

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

A 5ª fase da operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (7), colocou o senador Ciro Nogueira (PP-PI) no centro de uma investigação que apura um suposto esquema milionário envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Na decisão que autorizou buscas, apreensões e outras medidas cautelares, o ministro do STF André Mendonça afirmou que a relação entre Ciro e Vorcaro “extrapola relações de mera amizade”.

Segundo o magistrado, os elementos reunidos pela investigação indicam “um arranjo funcional e instrumentalmente orientado para obtenção de benefícios mútuos”.

A decisão cita uma série de vantagens que teriam sido concedidas ao senador, incluindo:

• Pagamentos mensais de R$ 300 mil, posteriormente elevados para R$ 500 mil;

• Aquisição de participação societária com desconto milionário;

• Uso gratuito de imóvel de luxo;

• Viagens internacionais;

• Hospedagens em hotéis de alto padrão;

• Restaurantes caros;

• Voos privados pagos pelo grupo ligado ao banqueiro.

De acordo com a Polícia Federal, uma empresa administrada pela família de Ciro Nogueira teria adquirido uma participação societária avaliada em aproximadamente R$ 13 milhões pagando apenas R$ 1 milhão.

Para os investigadores, a operação seria incompatível com práticas normais de mercado e teria sido estruturada por meio de um suposto “contrato de gaveta”, mecanismo que, segundo a PF, teria servido para dificultar fiscalização e ocultar a real natureza da negociação.

Hospedagens de luxo e despesas pessoais

A decisão do ministro André Mendonça também menciona o pagamento de despesas pessoais atribuídas ao senador e à esposa.

Entre os gastos listados estão hospedagens no Park Hyatt New York, refeições em restaurantes de luxo e outros custos bancados pelo grupo ligado a Vorcaro.

Mensagens reproduzidas pela investigação mostram conversas entre Daniel Vorcaro e Léo Serrano:

“Só uma pergunta rápida… eh pros meninos continuarem pagando conta dos restaurantes do Ciro/Flávia até sábado?”

Na sequência, Vorcaro responde:

“Sim. Depois leva meu cartão para St. Barths.”

Segundo a PF, as conversas reforçariam a suspeita de que havia um fluxo contínuo de benefícios pessoais direcionados ao senador.

PF aponta “mesada” de até R$ 500 mil

Outro ponto central da investigação envolve pagamentos mensais supostamente realizados ao senador por meio da chamada “parceria BRGD/CNLF”.

A PF afirma que o arranjo financeiro e societário teria sido criado para operacionalizar repasses periódicos a Ciro Nogueira.

Mensagens atribuídas a Felipe Cançado Vorcaro, apontado como integrante do núcleo financeiro da organização, também aparecem na decisão judicial.

Em um dos trechos reproduzidos pela investigação, Felipe pergunta:

“Oi, é para continuar pagando a parceria brgd/cnlf? 300k mes?”

Daniel Vorcaro responde:

“Sim.”

Em outra conversa, os valores aparecem ainda maiores:

“Cara eu no meio dessa guerra atrasou dois meses ciro?”

Na sequência:

“Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?”

Para a Polícia Federal, as mensagens sugerem a existência de pagamentos regulares ao senador.

Crimes investigados

Segundo a decisão do STF, os fatos apurados indicam, em tese, possíveis crimes de:

• Corrupção passiva;

• Corrupção ativa;

• Lavagem de dinheiro;

• Organização criminosa;

• Crimes contra o sistema financeiro nacional.

A PF afirma ainda que Ciro Nogueira seria o “principal beneficiário” das operações de lavagem de capitais investigadas na operação Compliance Zero.

Como medida cautelar, André Mendonça determinou que o senador não mantenha contato com testemunhas nem com outros investigados.

Defesa questiona investigação

A defesa de Ciro Nogueira afirmou que o senador está à disposição da Justiça e criticou as medidas adotadas pela investigação, alegando que elas teriam sido baseadas em “mera troca de mensagens”.

A defesa de Daniel Vorcaro não respondeu aos contatos realizados. Já os representantes de Felipe Cançado Vorcaro não foram localizados.

Operação Compliance Zero

A operação Compliance Zero investiga supostas fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master.

Nesta nova fase, a Polícia Federal cumpriu:

• 10 mandados de busca e apreensão;

• 1 mandado de prisão temporária.

A investigação mira um suposto esquema de lavagem de dinheiro, pagamentos ilícitos e favorecimentos financeiros envolvendo empresários e agentes políticos.

A decisão do ministro André Mendonça elevou a pressão política sobre o caso ao afirmar expressamente que os indícios apontam para uma relação estruturada de interesses entre o senador e o banqueiro investigado.

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