Países organizam operação internacional para resgatar passageiros após surto de hantavírus no Cruzeiro

Aviões de evacuação já foram mobilizados por países europeus e pelos Estados Unidos; navio MV Hondius deve atracar em Tenerife neste domingo em meio a uma das maiores operações sanitárias recentes em alto-mar
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA

Uma complexa operação internacional de emergência está sendo organizada neste fim de semana para retirar passageiros do navio de cruzeiro MV Hondius, atingido por um surto de hantavírus que já provocou mortes e colocou autoridades sanitárias globais em alerta. Países da Europa e os Estados Unidos confirmaram o envio de aeronaves especiais para evacuar seus cidadãos, enquanto o governo da Espanha prepara um esquema rigoroso de segurança sanitária para receber a embarcação na ilha de Tenerife, nas Ilhas Canárias.

O navio, que fazia uma viagem entre a Argentina e Cabo Verde, deve atracar entre a madrugada e o início da manhã deste domingo (10), no Porto de Granadilla. A expectativa é que todos os passageiros e parte da tripulação sejam desembarcados sob protocolos rígidos de saúde, incluindo o uso obrigatório de máscaras e restrições quanto aos pertences levados pelos viajantes.

Segundo autoridades espanholas, Alemanha, França, Bélgica, Irlanda e Holanda já confirmaram o envio de aviões para retirar seus cidadãos. Os Estados Unidos também anunciaram aeronaves de resgate, enquanto a União Europeia coordena voos adicionais para auxiliar passageiros de outras nacionalidades.

De acordo com o ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, e a ministra da Saúde espanhola, Mónica García, a evacuação será feita de forma escalonada para evitar riscos sanitários e garantir que cada grupo de passageiros embarque imediatamente nos aviões enviados por seus respectivos países.

As autoridades espanholas informaram ainda que os cidadãos espanhóis deverão ser os primeiros a deixar o navio. Os demais passageiros serão liberados conforme a disponibilidade das aeronaves de evacuação preparadas pelos governos envolvidos.

A ministra Mónica García afirmou que os viajantes poderão levar apenas itens essenciais. Toda a bagagem restante permanecerá no navio, assim como os corpos das vítimas fatais registradas durante a viagem. O material será posteriormente encaminhado para a Holanda, onde passará por processos de desinfecção e análise sanitária.

OMS acompanha operação e alerta para possível surgimento de novos casos

A situação mobilizou diretamente a Organização Mundial da Saúde. O diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, chegou à Espanha para acompanhar pessoalmente a operação em Tenerife.

Em publicação nas redes sociais, Tedros afirmou estar em contato constante com o capitão do navio e com especialistas da OMS presentes a bordo. Segundo ele, até o momento não há novos passageiros apresentando sintomas da doença, embora o órgão mantenha estado de vigilância devido ao longo período de incubação do hantavírus.

A OMS confirmou pelo menos três mortes ligadas ao surto dentro da embarcação, além de outros casos positivos já identificados entre passageiros.

As autoridades internacionais investigam a origem do contágio. Uma das hipóteses consideradas é a de que a exposição ao vírus tenha ocorrido durante um voo em Joanesburgo, na África do Sul, antes do embarque no cruzeiro.

Entenda os casos registrados no navio

O primeiro caso suspeito ocorreu em 6 de abril, quando um homem começou a apresentar sintomas respiratórios a bordo. Ele morreu cinco dias depois, em 11 de abril. Inicialmente, o hantavírus foi descartado porque os sintomas se confundiam com outras doenças respiratórias e nenhuma amostra laboratorial havia sido coletada.

Posteriormente, a esposa do passageiro desembarcou na ilha de Santa Helena, mas também apresentou sintomas. Durante um voo para Joanesburgo, seu quadro piorou drasticamente. Ela morreu em 26 de abril, e exames laboratoriais realizados pelo Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis da África do Sul confirmaram infecção por hantavírus.

A terceira vítima fatal foi uma passageira alemã que apresentou sintomas no final de abril e morreu em 2 de maio. O diagnóstico também foi confirmado.

Outro passageiro britânico foi retirado do navio em estado grave e levado para a África do Sul, onde segue internado em terapia intensiva.

Além disso, outros passageiros permanecem hospitalizados em condição estável, enquanto um caso assintomático já foi transferido para a Alemanha.

O que é o hantavírus

O hantavírus é uma doença viral rara, geralmente transmitida pelo contato com fezes, urina ou saliva de roedores infectados. Em alguns casos, a infecção pode provocar complicações pulmonares graves e insuficiência respiratória.

Embora a transmissão entre humanos seja considerada incomum, autoridades sanitárias mantêm protocolos rigorosos de monitoramento devido ao potencial de agravamento clínico e à dificuldade inicial de diagnóstico.

Especialistas reforçam que, até o momento, o risco para a população geral permanece considerado baixo, mas a operação de desembarque em Tenerife ocorre sob máxima atenção internacional para evitar novos contágios.

Segundo o governo espanhol, a evacuação completa dos passageiros deve ocorrer entre o domingo e a tarde de segunda-feira (11), enquanto parte da tripulação seguirá no navio até a Holanda para procedimentos de descontaminação e investigação sanitária.

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