PT resiste a assinar CPMI do Banco Master e amplia pressão política no Congresso

Divulgação Reprodução/Banco Master
Base governista evita aderir aos principais pedidos de investigação sobre o caso Banco Master, enquanto oposição cobra transparência e instalação imediata da comissão parlamentar
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA

A disputa política em torno da criação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master ganhou novos capítulos nesta semana após parlamentares da oposição acusarem o Partido dos Trabalhadores e aliados do governo federal de resistirem à assinatura dos principais requerimentos de investigação apresentados no Congresso Nacional.

O tema voltou ao centro do debate político depois que o senador Carlos Viana afirmou publicamente que nenhum parlamentar ligado ao governo havia aderido ao novo pedido de CPMI aberto para coleta de assinaturas.

Segundo o parlamentar, a ausência de apoio da base governista levanta questionamentos sobre o compromisso do governo com a investigação do caso envolvendo o Banco Master e seu controlador, o empresário Daniel Vorcaro.

“Quem não deve, não teme CPMI”, declarou Viana ao desafiar publicamente parlamentares governistas a assinarem o requerimento.

Caso Banco Master gerou pressão por investigação parlamentar

O caso Banco Master ganhou repercussão nacional após investigações envolvendo supostas fraudes financeiras, operações suspeitas e relações políticas atribuídas a pessoas ligadas à instituição financeira.

Em fevereiro deste ano, um pedido oficial de criação de CPMI foi protocolado no Congresso Nacional com apoio superior ao mínimo exigido pela Constituição: 42 senadores e 238 deputados federais assinaram o requerimento.

Apesar disso, a comissão ainda não foi instalada oficialmente, decisão que depende da leitura do requerimento pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre.

A demora passou a gerar críticas da oposição e também de setores independentes do Congresso.

PT admite erro estratégico

Dentro do PT, o tema passou a causar desconforto político.

O presidente nacional do partido, Edinho Silva, reconheceu publicamente que a legenda cometeu um “erro político” ao não aderir inicialmente ao requerimento apresentado pela oposição. A declaração foi repercutida por veículos políticos e parlamentares ligados à investigação.

Mesmo após a autocrítica, o partido preferiu discutir alternativas próprias de investigação, sem aderir formalmente aos requerimentos já protocolados pela oposição.

Quem assinou e quem ainda não assinou

Até o momento, os parlamentares citados publicamente como apoiadores da CPMI incluem:

  • Carlos Viana;
  • Flávio Bolsonaro;
  • Rogério Marinho;
  • Carlos Jordy;
  • Heloísa Helena;
  • Fernanda Melchionna;
  • Fabiano Contarato, apontado como um dos poucos nomes ligados à base governista que aderiram ao pedido.

Por outro lado, segundo declarações de Carlos Viana, lideranças governistas no Senado e na Câmara ainda não assinaram os principais requerimentos da CPMI.

Até agora, não existe uma lista oficial consolidada e atualizada publicamente com todos os parlamentares que recusaram assinar o pedido. Parte das assinaturas circula internamente no Congresso e em documentos parlamentares ainda em atualização.

Instalação da comissão segue indefinida

Mesmo com requerimentos já protocolados e número suficiente de assinaturas, a CPMI do Banco Master segue sem data oficial para instalação.

A oposição tenta aumentar a pressão sobre o Congresso para que a comissão seja aberta ainda neste semestre, enquanto governistas defendem cautela e criticam o que chamam de “uso político” das investigações.

O caso continua alimentando tensão entre governo e oposição e pode se transformar em um dos principais focos de embate político em Brasília nas próximas semanas.

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