PIB cresce, mas industria perde força e CNI alerta para riscos a economia em 2026

Com alta de apenas 0,1%, indústria sofre com custos maiores e avanço das importações

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026 em relação aos três meses anteriores, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar do resultado positivo para a atividade econômica, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que os números revelam sinais preocupantes para o setor industrial e reforçam um cenário de perda de competitividade da produção nacional.

De acordo com a entidade, a indústria total avançou 1% no período, desempenho semelhante ao do PIB. No entanto, a indústria de transformação, responsável pela fabricação de bens e geração de empregos de maior valor agregado, registrou crescimento de apenas 0,1%, indicando praticamente uma estagnação.

Para a CNI, o resultado reflete um conjunto de fatores que vêm pressionando o setor produtivo. Entre eles estão a manutenção dos juros em patamares elevados, o aumento da concorrência de produtos importados, a elevação dos custos de produção e a insegurança em relação ao ambiente econômico.

Segundo a entidade, a guerra no Oriente Médio também contribuiu para a alta dos preços de insumos e matérias-primas, aumentando os custos para as empresas brasileiras.

Custos crescentes preocupam empresários

A superintendente de Economia da CNI, Marci C. Guerra, afirmou que a situação se torna ainda mais desafiadora diante de outras medidas que podem elevar os custos da atividade produtiva.

“Esse quadro é ainda mais preocupante quando a indústria se depara com a redução da jornada de trabalho, em discussão no Congresso Nacional, o fim do imposto de importação sobre compras de pequeno valor e o tabelamento do frete, que já foram implementados. Os custos não param de subir e o ambiente é cheio de incertezas”, afirmou.

A avaliação da entidade é que a combinação entre aumento de despesas e perda de competitividade pode comprometer a capacidade de investimento e geração de empregos do setor industrial nos próximos anos.

Indústria extrativa sustenta crescimento do setor

O principal destaque da atividade industrial no trimestre foi a indústria extrativa, que cresceu 3,6%. O resultado foi impulsionado pela produção de petróleo, gás natural e minério de ferro, além da valorização internacional das commodities.

Segundo a CNI, esse segmento possui menor sensibilidade aos juros elevados e consegue se beneficiar mais diretamente dos preços internacionais das matérias-primas.

Já a construção civil apresentou crescimento de 2,9%, desempenho considerado positivo mesmo em um cenário de política monetária restritiva. O aumento das horas trabalhadas e a expansão do mercado de trabalho contribuíram para o resultado.

Além disso, medidas voltadas ao crédito habitacional, como a ampliação do limite para financiamento de imóveis pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH) e novas linhas de crédito para reformas residenciais, ajudaram a impulsionar o setor.

Investimentos avançam, mas modelo econômico gera preocupação

Os investimentos cresceram 3,5% no primeiro trimestre, registrando a maior expansão trimestral dos últimos cinco anos. Apesar disso, a CNI considera que o avanço não representa uma mudança estrutural no padrão de crescimento da economia brasileira.

A entidade destaca que a taxa de investimento caiu para 16,5% do PIB, abaixo dos 17,6% registrados no mesmo período do ano anterior.

Para os representantes da indústria, a economia continua excessivamente dependente do consumo das famílias, que avançou 1% no trimestre e alcançou seu melhor resultado desde o terceiro trimestre de 2024.

Na avaliação da CNI, parte significativa dessa demanda tem sido absorvida por produtos importados, reduzindo os benefícios para a produção nacional.

“Boa parte da demanda por bens industriais tem se direcionado para as importações. Isso prejudica ainda mais a situação da indústria”, afirmou Marcio Guerra.

Alerta para 2026

A avaliação da Confederação Nacional da Indústria é que os dados do PIB mostram uma economia que continua crescendo, mas com fragilidades importantes na base produtiva. A entidade alerta que, sem medidas que aumentem a competitividade da indústria brasileira e reduzam os custos de produção, o país poderá enfrentar maiores dificuldades para sustentar o crescimento econômico e ampliar a geração de empregos de qualidade nos próximos anos.

Para a CNI, o fortalecimento da indústria de transformação permanece fundamental para garantir crescimento sustentável, aumento da produtividade e maior capacidade de investimento da economia brasileira.

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