Organização Mundial da Saúde pede medidas mais rigorosas contra cigarros eletrônicos, sachês de nicotina e produtos que atraem jovens por meio de sabores e marketing direcionado
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou um novo alerta sobre o crescimento do consumo de produtos de tabaco e nicotina entre adolescentes em todo o planeta. Segundo a entidade, cerca de 40 milhões de jovens com idade entre 13 e 15 anos utilizam atualmente algum tipo de produto derivado do tabaco, cenário que preocupa especialistas em saúde pública devido ao potencial de dependência precoce e aos impactos de longo prazo na saúde.
O comunicado foi divulgado nesta sexta-feira (29), às vésperas do Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado em 31 de maio. A OMS aproveitou a data para reforçar o apelo aos governos para que ampliem a fiscalização e adotem medidas mais rigorosas de proteção às novas gerações diante do avanço da indústria da nicotina.
De acordo com a organização, o mercado tem investido fortemente em produtos alternativos ao cigarro tradicional, como cigarros eletrônicos, dispositivos de tabaco aquecido e sachês de nicotina. Embora frequentemente apresentados como opções modernas ou menos prejudiciais, esses produtos têm despertado preocupação crescente por seu forte apelo junto ao público adolescente.
A OMS destaca que muitos desses dispositivos são comercializados com sabores doces ou frutados, embalagens coloridas e design atrativo, características que podem estimular a experimentação por crianças e adolescentes. Além disso, campanhas de marketing em plataformas digitais e redes sociais têm contribuído para ampliar a exposição dos jovens a esses produtos.
Dependência pode surgir rapidamente
Especialistas alertam que a nicotina é uma das substâncias mais viciantes conhecidas. Durante a adolescência, fase em que o cérebro ainda está em desenvolvimento, a exposição à nicotina pode aumentar significativamente o risco de dependência química.
Segundo a OMS, jovens que iniciam o consumo de produtos de nicotina têm maior probabilidade de manter o hábito na vida adulta, aumentando o risco de doenças cardiovasculares, respiratórias e diversos tipos de câncer.
A organização ressalta que impedir o início do consumo é uma das estratégias mais eficazes para reduzir o impacto do tabagismo nas próximas décadas.
Crescimento dos sachês de nicotina preocupa autoridades
Entre os produtos que mais chamam a atenção das autoridades sanitárias estão os sachês de nicotina, pequenos pacotes colocados entre a gengiva e o lábio para liberação gradual da substância.
Embora não contenham tabaco em sua composição, os sachês podem apresentar concentrações elevadas de nicotina e causar dependência. A OMS afirma que aproximadamente 160 países ainda não possuem regulamentação específica para controlar a fabricação, a comercialização e a publicidade desses produtos.
Outro fator de preocupação é a ampla variedade de sabores disponíveis no mercado. Em muitos casos, os sachês são vendidos em versões que lembram balas, chicletes ou doces, aumentando o potencial de atração para o público infantojuvenil.
Rio de Janeiro é citado como exemplo internacional
Ao destacar experiências consideradas positivas no combate ao consumo de nicotina entre jovens, a OMS mencionou o Rio de Janeiro como referência em fiscalização e aplicação das leis de controle do tabaco.
Segundo a entidade, a capital fluminense intensificou as ações contra a venda irregular e a promoção de cigarros eletrônicos, além de fortalecer mecanismos de fiscalização voltados ao cumprimento da legislação vigente.
Para a organização, iniciativas locais como essa demonstram que políticas públicas bem estruturadas podem reduzir significativamente a exposição dos adolescentes a produtos que causam dependência.
Medidas defendidas pela OMS
Diante do avanço do consumo entre adolescentes, a OMS recomenda que os países fortaleçam suas políticas de controle do tabaco e da nicotina por meio de ações como:
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Restrição da publicidade de produtos com nicotina;
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Proibição de estratégias de marketing voltadas para jovens;
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Controle ou proibição de sabores atrativos para adolescentes;
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Fiscalização rigorosa da venda para menores de idade;
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Regulamentação dos cigarros eletrônicos e sachês de nicotina;
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Ampliação das campanhas educativas sobre os riscos da dependência.
A entidade também defende que governos monitorem constantemente as novas estratégias da indústria para impedir que crianças e adolescentes se tornem consumidores precoces.
Mais de 7 milhões de mortes por ano
Apesar dos avanços obtidos nas últimas décadas em diversos países, o tabagismo continua sendo uma das maiores ameaças à saúde pública mundial. Dados da OMS indicam que o consumo de tabaco é responsável por mais de 7 milhões de mortes todos os anos em todo o mundo.
Especialistas afirmam que a prevenção durante a adolescência continua sendo uma das ferramentas mais importantes para reduzir o número de fumantes e evitar milhões de casos de doenças graves nas próximas gerações.
O alerta da OMS reforça a necessidade de vigilância permanente diante da rápida evolução dos produtos de nicotina e da crescente capacidade da indústria de alcançar públicos cada vez mais jovens por meio de novas formas de consumo e estratégias de marketing.
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