Preços da carne bovina sobem no primeiro semestre de 2026 e picanha acumula alta de mais de 10%

Aumento é puxado por exportações, com destaque para a China, e afeta todos os principais cortes, segundo o IPCA-15

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

Todos os principais cortes de carne bovina registraram alta de preços no primeiro semestre de 2026, segundo dados do IPCA-15, prévia da inflação divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Entre janeiro e junho, o peito apresentou a maior variação, com alta de 10,9%. Em seguida aparecem a picanha, com aumento de 10,66%, e o filé-mignon, que subiu 10,22%.

A alcatra acumulou elevação de 9,48%, enquanto o acém teve avanço de 9,33%. Já entre os menores reajustes estão o cupim, com alta de 5,75%, e o patinho, que subiu 6,61%.

A pressão sobre os preços está relacionada principalmente ao aumento das exportações de carne bovina brasileira, com destaque para a demanda da China. O movimento reduziu a oferta do produto no mercado interno, influenciando a elevação dos valores.

Em janeiro, o governo chinês estabeleceu uma sobretaxa de 55% para embarques que ultrapassem a cota de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina brasileira em 2026. Até esse limite, permanece a tarifa de 12%.

Com a corrida dos frigoríficos para antecipar embarques dentro das condições tarifárias mais favoráveis, houve intensificação das exportações no início do ano.

A expectativa do mercado é de que os preços possam ter algum alívio temporário nos próximos meses, caso haja desaceleração das compras externas. No entanto, projeções da consultoria Safras & Mercado indicam possível nova pressão no fim do ano, com a retomada da demanda chinesa, aumento das compras dos Estados Unidos e efeitos climáticos que podem impactar a oferta de gado.

O Itaú BBA também aponta as exportações como principal fator de influência na alta dos preços. Segundo a instituição, os embarques para a China cresceram 24% entre janeiro e maio, em comparação ao mesmo período de 2025, e responderam por cerca de 51% das exportações brasileiras de carne bovina.

Por outro lado, a suspensão das compras de carne bovina brasileira pela União Europeia deve ter impacto limitado no mercado interno, já que o bloco representa cerca de 3,5% das exportações e tem peso mais relevante como referência internacional do que como destino de volume.

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