Governo Lula amplia rombo nas contas públicas, e déficit chega a R$ 56,1 bilhões em maio

Resultado supera as expectativas do mercado, enquanto a dívida pública sobe para 81,1% do PIB

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 56,1 bilhões em maio, segundo dados divulgados nesta terça-feira (30) pelo Banco Central. O resultado reúne as contas do governo federal, dos estados, dos municípios e das empresas estatais, com exceção da Petrobras.

O saldo negativo sucede o superávit de R$ 24,6 bilhões registrado em abril e ficou acima da mediana das projeções do mercado financeiro, que esperava um déficit de R$ 53,9 bilhões.

Na comparação com maio de 2025, quando o rombo foi de R$ 33,7 bilhões, houve uma deterioração significativa das contas públicas. O resultado representa o maior déficit para um mês de maio desde 2024 e reforça as preocupações em torno da trajetória fiscal do país.

Governo federal concentra maior parte do rombo

O principal responsável pelo resultado foi o governo central, formado pelo Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social, que registrou déficit primário de R$ 55,1 bilhões.

Enquanto isso, estados e municípios apresentaram déficit de R$ 1,236 bilhão, e as empresas estatais encerraram o mês com superávit de R$ 273 milhões, reduzindo parcialmente o impacto negativo das contas públicas.

O déficit primário mede a diferença entre receitas e despesas do governo antes do pagamento dos juros da dívida pública. Quando há déficit, significa que o governo gastou mais do que arrecadou para manter suas despesas correntes.

Resultado acumulado segue negativo

Entre janeiro e maio de 2026, o setor público consolidado acumula déficit primário de R$ 24,8 bilhões, equivalente a 0,45% do Produto Interno Bruto (PIB).

No mesmo período:

• Governo central: déficit de R$ 46,139 bilhões;

• Estados e municípios: superávit de R$ 28,669 bilhões.

Os números mostram que os governos regionais continuam contribuindo positivamente para o resultado consolidado, enquanto o governo federal permanece como principal foco do desequilíbrio fiscal.

Déficit nominal ultrapassa R$ 1,2 trilhão em 12 meses

Quando são considerados os juros da dívida pública, o cenário fiscal se torna ainda mais preocupante.

O déficit nominal chegou a R$ 163,6 bilhões apenas em maio.

No acumulado de 2026, o resultado negativo soma R$ 483,8 bilhões, equivalente a 8,74% do PIB.

Já no acumulado de 12 meses, o déficit nominal alcançou R$ 1,260 trilhão, correspondendo a 9,62% do Produto Interno Bruto.

Esse indicador é acompanhado de perto por investidores, agências de classificação de risco e instituições financeiras por refletir a necessidade total de financiamento do setor público.

Dívida pública continua crescendo

Os dados do Banco Central também mostram avanço da dívida pública brasileira.

A Dívida Bruta do Governo Geral passou de 80,2% para 81,1% do PIB entre abril e maio.

Em valores nominais, o estoque da dívida aumentou de R$ 10,443 trilhões para R$ 10,6 trilhões.

Já a Dívida Líquida do Setor Público avançou de 67,2% para 67,9% do PIB, atingindo R$ 8,8 trilhões.

O crescimento da dívida é acompanhado com atenção pelo mercado porque pode elevar os custos de financiamento do governo e aumentar a necessidade de emissão de títulos públicos.

Mercado acompanha cenário fiscal

O resultado divulgado pelo Banco Central reforça um cenário de atenção para a política fiscal brasileira. Economistas têm apontado que déficits recorrentes e o avanço da dívida pública podem dificultar o cumprimento das metas fiscais e manter a pressão sobre os juros e a inflação.

Analistas também destacam que o controle das despesas públicas e o aumento da arrecadação serão fatores decisivos para a evolução das contas do governo ao longo de 2026.

A divulgação ocorre em um momento em que a condução da política fiscal do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva continua sendo alvo de intenso debate entre governo, oposição e agentes do mercado financeiro. Enquanto o governo afirma buscar equilíbrio entre responsabilidade fiscal e investimentos públicos, críticos defendem que o aumento dos gastos tem contribuído para a deterioração das contas públicas e para o crescimento da dívida do país.

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