Ex-mulher de investigado por ligação com o PCC atua como assessora de deputado do PT

Investigação cita assessora de Jilmar Tatto em apuração sobre esquema de lavagem de dinheiro

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

A investigação da Polícia Civil de São Paulo que resultou na prisão do vereador paulistano Senival Moura (PT) passou a citar também o deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP), vice-presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), em razão dos vínculos familiares de uma assessora parlamentar com pessoas investigadas por participação em um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Embora o parlamentar não seja apontado como investigado no caso, seu gabinete é mencionado no relatório policial porque uma de suas assessoras mantém relações familiares com investigados considerados peças importantes da organização criminosa.

Assessora é ligada a investigados, segundo a Polícia Civil

De acordo com o relatório da investigação, Roseli Caires Oliveira Martins, atual secretária parlamentar no gabinete de Jilmar Tatto, é mãe de Ingrid Caires Martins Bernardino, apontada pela Polícia Civil como beneficiária de repasses financeiros atribuídos ao esquema investigado.

Os investigadores afirmam ainda que Roseli foi companheira de Leonel Moreira Martins, identificado como um dos operadores financeiros da estrutura de lavagem de dinheiro supostamente ligada ao PCC.

Segundo a investigação, esses vínculos familiares passaram a integrar as apurações após a análise de movimentações financeiras consideradas suspeitas.

Campanha eleitoral e nomeação para gabinete

O relatório destaca que Roseli participou da campanha eleitoral de Senival Moura à Câmara Municipal de São Paulo nas eleições de 2020.

Após o pleito, ela foi nomeada para exercer cargo comissionado como secretária parlamentar. Inicialmente trabalhou no gabinete do deputado federal Nilto Tatto (PT-SP) e, desde 2021, atua no gabinete do deputado Jilmar Tatto.

Os investigadores também registram que Jilmar Tatto possui histórico de atuação na área de transportes públicos da capital paulista, tendo exercido anteriormente o cargo de secretário municipal de Transportes.

A informação foi incluída no relatório para contextualizar a relação do parlamentar com o setor que também é alvo da investigação.

Empresa de ônibus é apontada como instrumento para lavagem de dinheiro

Outro foco da investigação é a empresa Transunião Transportes S.A., concessionária responsável por cerca de 50 linhas de ônibus na zona leste da capital paulista.

Segundo a Polícia Civil, a empresa teria sido utilizada para ocultar recursos provenientes principalmente do tráfico de drogas.

Os investigadores sustentam que valores obtidos por atividades ilícitas eram inseridos nas operações da empresa para dar aparência de legalidade ao dinheiro e dificultar o rastreamento da origem dos recursos.

O relatório afirma ainda que parte desse dinheiro teria sido utilizada para fortalecer financeiramente a concessionária e garantir a continuidade da concessão do serviço público de transporte coletivo.

Polícia identifica movimentações financeiras

Ainda conforme a investigação, Ingrid Caires Martins Bernardino recebeu transferências financeiras da Transunião por meio das empresas I.C. Martins Calçados e ICM Transportes de Passageiro e Locação de Veículos Eireli.

Na avaliação da Polícia Civil, essas empresas teriam sido utilizadas para ocultar patrimônio e conferir aparência lícita a recursos de origem criminosa.

O relatório também informa que Ingrid é casada com Ademilson Bernardino Pinto, irmão de Osiel Bernardino Pinto, ex-diretor-presidente e atual integrante do conselho administrativo da Transunião.

Para os investigadores, essas relações familiares ajudam a compreender a estrutura financeira do suposto esquema investigado.

Deputado diz que aguardará conclusão das investigações

Jilmar Tatto informou que a assessora passou a integrar seu gabinete após colaborar em sua campanha eleitoral de 2022 e afirmou que aguardará o andamento das investigações antes de decidir se adotará alguma medida em relação à servidora.

Investigações seguem em andamento

A Polícia Civil continua apurando a origem dos recursos movimentados, o funcionamento do suposto esquema de lavagem de dinheiro e a eventual participação de todos os envolvidos.

Até o momento, Jilmar Tatto não foi indiciado nem acusado formalmente no inquérito. O relatório policial cita seu gabinete em razão da atuação da assessora parlamentar e de seus vínculos familiares com investigados.

O caso amplia a pressão sobre o PT em mais um episódio envolvendo pessoas ligadas ao partido e reforça o debate sobre a necessidade de rigor nas investigações envolvendo possíveis conexões entre organizações criminosas e agentes públicos. As apurações continuam e caberá ao Ministério Público e à Justiça avaliar os elementos reunidos pela Polícia Civil para eventual oferecimento de denúncia.

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