Grupo é suspeito de importar ilegalmente produtos proibidos pelas fronteiras com Uruguai, Argentina e Paraguai
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (30), a Operação Solo Puro, para desarticular uma organização criminosa suspeita de atuar no contrabando e na comercialização de agrotóxicos proibidos no Brasil. A ação foi realizada no Rio Grande do Sul e no Paraná e teve como foco um grupo investigado por importar ilegalmente produtos altamente tóxicos por meio das fronteiras com Uruguai, Argentina e Paraguai.
Ao todo, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão nas cidades de Boa Vista das Missões, Jaboticaba, Palmeira das Missões, no Rio Grande do Sul, e em Santa Helena, no Paraná. Além das buscas, a Justiça Federal determinou o bloqueio de até R$ 12 milhões em contas bancárias dos investigados, o sequestro de bens e a aplicação de nove medidas cautelares diversas da prisão.
Segundo a Polícia Federal, a investigação teve início em 2022, após a prisão em flagrante de dois integrantes da organização na cidade de Jaguarão (RS), na fronteira com o Uruguai. Na ocasião, durante uma ação da Brigada Militar, foram apreendidos armas de fogo, facas, aparelhos de comunicação e uma carga de agrotóxicos cuja comercialização é proibida no Brasil.
A partir da análise dos celulares apreendidos, os investigadores identificaram indícios de uma estrutura criminosa organizada, responsável pela entrada clandestina de defensivos agrícolas ilegais no país. Conforme a PF, o grupo manteve as atividades criminosas mesmo após as primeiras prisões, utilizando rotas nas fronteiras do Sul para abastecer o mercado clandestino brasileiro.
Entre os produtos introduzidos ilegalmente no país está o Paraquat, herbicida de alta toxicidade proibido no Brasil desde 2020 por decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O produto foi banido devido aos riscos à saúde humana, incluindo casos de intoxicação grave e estudos que apontam associação com doenças neurológicas, como o Parkinson.
As investigações também identificaram movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada pelos suspeitos, o que levou a Justiça a autorizar o bloqueio milionário de contas e o sequestro de patrimônio para impedir a ocultação de bens e garantir eventual ressarcimento aos cofres públicos.
De acordo com a Polícia Federal, o contrabando de agrotóxicos representa uma grave ameaça à saúde pública, ao meio ambiente e à economia, uma vez que esses produtos entram no país sem qualquer fiscalização dos órgãos competentes, podendo conter substâncias proibidas e oferecer riscos aos trabalhadores rurais, consumidores e à produção agrícola.
Os investigados poderão responder pelos crimes de contrabando, organização criminosa e lavagem de dinheiro, além de outros delitos que eventualmente sejam identificados durante o andamento das investigações.
A Polícia Federal informou que a operação faz parte das ações permanentes de combate ao crime organizado e ao comércio ilegal de produtos proibidos no território nacional. As investigações continuam para identificar outros envolvidos e aprofundar a apuração sobre a estrutura financeira e logística utilizada pelo grupo criminoso.
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