Justiça brasileira manda soltar 13 investigados por esquema de R$ 10 bilhões ligado ao PCC

Principal investigado permanece foragido; PF aponta esquema bilionário com apoio dos Estados Unidos

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

A Justiça Federal de Santos determinou, nesta terça-feira (7), a soltura dos 13 investigados presos durante a Operação Exchange, deflagrada pela Polícia Federal para desarticular um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro atribuído ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo as investigações, a organização teria movimentado cerca de R$ 10 bilhões por meio de empresas de fachada, criptomoedas e operações financeiras nacionais e internacionais.

Apesar da decisão que beneficiou a maior parte dos investigados, Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado pela Polícia Federal como um dos principais responsáveis pelo núcleo financeiro da facção, continua foragido. A Justiça converteu sua prisão temporária em prisão preventiva, entendendo que permanecem presentes os requisitos legais para sua manutenção.

Entre os beneficiados pela decisão está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, apontada como integrante da estrutura financeira investigada e a primeira brasileira a sofrer sanções econômicas diretas dos Estados Unidos por suposta ligação com o PCC.

Operação teve apoio das autoridades dos Estados Unidos

A Operação Exchange foi deflagrada na última sexta-feira (3), apenas dois dias após o governo dos Estados Unidos anunciar sanções contra pessoas e empresas supostamente ligadas ao esquema criminoso.

A investigação contou com cooperação internacional e apoio do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (Homeland Security), que compartilhou informações de inteligência com a Polícia Federal brasileira.

Segundo os investigadores, os dados enviados pelas autoridades americanas revelaram indícios de um gigantesco sistema utilizado para lavar recursos provenientes do tráfico internacional de drogas.

Esquema utilizava criptomoedas e empresas de fachada

De acordo com a Polícia Federal, o grupo criminoso estruturou um complexo mecanismo financeiro para ocultar a origem ilícita do dinheiro.

O modelo incluía:

• Utilização de empresas de fachada;

• Conversão de recursos em criptomoedas;

• Depósitos fracionados para dificultar o rastreamento;

• Envio de valores para diversos países;

• Movimentação de recursos por operadores financeiros especializados.

As investigações apontam que o dinheiro seria proveniente, principalmente, do tráfico internacional de drogas, especialmente de haxixe.

Shimada é apontado como líder financeiro

Conforme o relatório da Polícia Federal, Victor Henrique de Oliveira Shimada exerceria papel central na administração financeira da estrutura ligada ao PCC.

Segundo os investigadores, ele atuava ao lado de seu tio, Amaro Henrique de Oliveira, de sua prima Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira e de Carlos Henrique Costa Almeida, coordenando operações destinadas a ocultar a origem dos recursos ilícitos.

Os relatórios de inteligência financeira mencionam Shimada em 51 comunicações analisadas pelos investigadores.

A Polícia Federal afirma ainda que uma de suas empresas, a Victory Trading Intermediação de Negócios, movimentou aproximadamente R$ 1,9 bilhão, sendo apontada como uma das principais empresas utilizadas no esquema.

Ligação com investigado preso pelo FBI

Outro nome considerado estratégico é Ygor Fockink Savioli.

Segundo a investigação, ele seria responsável pela articulação da venda internacional de drogas e manteria forte ligação operacional com Victor Shimada.

Savioli foi preso nos Estados Unidos em 2023 durante uma operação conduzida pelo FBI, juntamente com outros quatro investigados, sob acusações relacionadas à lavagem internacional de dinheiro.

Os investigadores brasileiros sustentam que ele participava da organização das remessas financeiras provenientes do tráfico.

Diversos profissionais aparecem entre os investigados

A investigação também identifica uma extensa rede de pessoas que, segundo a Polícia Federal, desempenhavam funções específicas dentro da estrutura financeira.

Entre os investigados estão operadores financeiros, especialistas em criptoativos, empresários, advogados, contadores e intermediários.

A lista inclui:

• Paulo Roberto Macedo, conhecido como “Urso”, apontado como responsável pelo transporte de dinheiro em espécie;

• Leandro de Proença, ligado às operações internacionais envolvendo criptomoedas;

• João Gilberto Codognotto, responsável por remessas financeiras ao exterior;

• Romany Cutolo Bonente, advogado investigado por suposta intermediação entre organizações criminosas;

• Diego Lameiro Diz, apontado como responsável pela criação de empresas de fachada;

• Amauri Henrique Oliveira, investigado pelo transporte de grandes quantias em dinheiro;

• Gabriel Innocente, citado como negociador de entorpecentes;

• Anderson Gonçalves Amaral, sócio-administrador da empresa Hi Quality;

• Jefferson Costa de Britis, apontado como contador da organização.

As investigações prosseguem para apurar o grau de participação individual de cada suspeito. Justiça entendeu que não havia motivos para manter os demais presos

Na decisão, a magistrada da 7ª Vara Federal Criminal de Santos concluiu que, em relação aos demais investigados presos durante a operação, não estavam presentes os fundamentos necessários para manutenção das prisões cautelares.

Assim, determinou a libertação dos 13 investigados, mantendo apenas a prisão preventiva de Victor Shimada, que permanece foragido.

O processo segue em fase de investigação e novas diligências não estão descartadas.

Defesa pretende recorrer

O advogado Yuri Cruz, que representa Victor Shimada e Stella Stefanie, informou que irá analisar a decisão judicial e adotar as medidas processuais que considerar cabíveis, incluindo um eventual pedido de revogação da prisão preventiva de Shimada.

Investigação continua

A Polícia Federal afirma que a Operação Exchange representa uma das maiores investigações recentes sobre lavagem de dinheiro atribuída ao PCC, envolvendo cooperação internacional, rastreamento de criptomoedas e movimentações financeiras bilionárias.

As apurações continuam para identificar todos os integrantes da estrutura financeira, rastrear o destino dos recursos e localizar Victor Henrique de Oliveira Shimada, considerado foragido da Justiça.

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