Presidente da Corte eleitoral afirma que registros serão analisados com rigor e reforça que partidos têm papel fundamental na prevenção da infiltração criminosa no processo eleitoral
Por Paloma de Sá |GNEWSUSA
Às vésperas do início das convenções partidárias para as eleições de 2026, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) fez um duro alerta aos partidos políticos: evitar o lançamento de candidatos que possuam suspeitas ou vínculos com organizações criminosas. Durante reunião realizada nesta sexta-feira (10), o presidente da Corte, desembargador Cláudio de Mello Tavares, afirmou que a Justiça Eleitoral atuará com rigor na análise dos registros de candidatura e na fiscalização do processo eleitoral, buscando preservar a legitimidade das eleições e impedir a influência do crime organizado na política.
Justiça Eleitoral reforça compromisso com eleições íntegras
O pronunciamento ocorreu durante encontro entre representantes do TRE-RJ e dirigentes de diversos partidos políticos que disputarão as eleições deste ano.
Na ocasião, o presidente do tribunal destacou a preocupação crescente com a infiltração de organizações criminosas na atividade política e ressaltou que cabe às legendas exercer um controle rigoroso na escolha de seus candidatos.
Segundo Cláudio de Mello Tavares, os partidos representam a primeira barreira para impedir que pessoas investigadas ou suspeitas de manter relações com facções criminosas ou milícias ingressem na disputa eleitoral.
“A sociedade não aguenta mais, não suporta mais tanta insegurança. Este tribunal analisará com rigor todos os pedidos de registro de candidaturas, sobretudo de candidatos que tenham ligação com o tráfico ou com as milícias”, declarou o magistrado durante a reunião.
Fiscalização será intensificada
Além da análise dos pedidos de registro de candidatura, o TRE-RJ informou que ampliará a fiscalização sobre propaganda eleitoral e demais atos relacionados ao processo eleitoral.
A intenção é garantir que as campanhas ocorram dentro das regras estabelecidas pela legislação e impedir qualquer tentativa de influência ilícita sobre o eleitorado.
Embora a Justiça Eleitoral tenha competência para analisar o cumprimento dos requisitos legais para o registro das candidaturas, investigações criminais e eventuais responsabilizações continuam sendo conduzidas pelos órgãos competentes, como o Ministério Público e as polícias judiciárias.
Declaração ocorre após prisões de parlamentares
O posicionamento do TRE-RJ acontece em um momento de forte repercussão sobre investigações envolvendo agentes públicos no estado.
Nos últimos meses, operações conduzidas pela Polícia Federal resultaram na prisão de parlamentares e ex-parlamentares suspeitos de envolvimento com organizações criminosas.
Entre os casos divulgados estão:
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o ex-deputado estadual TH Joias, preso em setembro de 2025;
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o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, preso em dezembro de 2025;
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o deputado estadual Thiago Rangel, preso em maio de 2026;
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além do deputado estadual Val Ceasa, alvo de mandado de busca e apreensão em junho deste ano.
As investigações seguem em andamento e os respectivos processos tramitam nos órgãos competentes, respeitando o devido processo legal e o direito à ampla defesa.
Partidos têm responsabilidade na escolha dos candidatos
Durante a reunião, o presidente do TRE-RJ enfatizou que a responsabilidade pela qualidade dos nomes apresentados ao eleitor começa dentro das próprias legendas.
Segundo ele, as siglas devem realizar avaliações criteriosas sobre o histórico dos pré-candidatos antes da oficialização das candidaturas.
“Cabe aos senhores, como primeira linha de defesa da legitimidade do processo eleitoral, depurar e avaliar com cautela os nomes submetidos”, afirmou Cláudio de Mello Tavares.
Especialistas em Direito Eleitoral destacam que a legislação brasileira estabelece critérios para registro de candidaturas, incluindo hipóteses de inelegibilidade previstas na Constituição Federal e na Lei Complementar nº 64/1990, conhecida como Lei das Inelegibilidades, posteriormente modificada pela Lei da Ficha Limpa.
Convenções começam ainda em julho
O alerta do TRE-RJ ocorre poucos dias antes do início das convenções partidárias, etapa em que os partidos oficializam os candidatos que disputarão os cargos de presidente da República, governador, senador, deputado federal e deputado estadual.
O calendário eleitoral prevê:
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20 de julho a 5 de agosto: realização das convenções partidárias;
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até 15 de agosto: prazo final para apresentação dos pedidos de registro de candidatura à Justiça Eleitoral.
Após esse período, a Justiça Eleitoral analisará individualmente cada pedido, verificando o atendimento às exigências legais para que os candidatos possam disputar as eleições.
Combate à influência do crime na política
O fortalecimento dos mecanismos de controle sobre as candidaturas tem sido apontado pelas autoridades eleitorais como uma das medidas necessárias para proteger a legitimidade do processo democrático.
Nos últimos anos, órgãos de investigação vêm alertando para tentativas de organizações criminosas de ampliar sua influência em diferentes esferas do poder público, especialmente em regiões onde facções e milícias exercem forte controle territorial.
Nesse contexto, a atuação conjunta da Justiça Eleitoral, do Ministério Público, das forças policiais e dos próprios partidos políticos é considerada fundamental para assegurar eleições transparentes, preservar a confiança da população nas instituições e impedir que interesses criminosos interfiram na representação política.
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