Caminhoneiros iniciam paralisação e pressionam Senado pela votação da MP do Frete

Categoria cobra que Davi Alcolumbre vote a medida antes que ela perca a validade em 16 de julho

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

Caminhoneiros de diferentes regiões do país iniciaram, à 0h desta segunda-feira (13), uma paralisação com foco nos principais portos brasileiros. A mobilização foi convocada pelo presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão, que divulgou um vídeo convocando a categoria a aderir ao protesto.

Segundo Chorão, a mobilização tem como principal objetivo pressionar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a colocar em votação a Medida Provisória do Frete (MP 1.343/2026) antes que ela perca a validade. O prazo de vigência da medida termina em 16 de julho, e, caso não seja votada pelo Congresso Nacional até essa data, deixará de produzir efeitos.

De acordo com o dirigente da Abrava, a categoria aguarda uma definição por parte do Senado e considera que o atraso na apreciação da matéria gera insegurança para milhares de profissionais que dependem diretamente da atividade de transporte rodoviário de cargas.

Em sua convocação, Chorão afirmou que a paralisação deverá ocorrer de forma concentrada nos portos, locais considerados estratégicos para a logística nacional. A expectativa é que a mobilização sirva como forma de chamar a atenção das autoridades para a necessidade de votação da medida provisória.

O que está em jogo

A MP do Frete trata de regras consideradas importantes para o setor de transporte rodoviário de cargas. Representantes da categoria argumentam que a medida oferece maior segurança jurídica e busca garantir condições mais equilibradas para os caminhoneiros, especialmente os autônomos, que enfrentam elevados custos operacionais, como combustível, manutenção, pedágios e despesas com alimentação e estadia durante as viagens.

Segundo lideranças do setor, a demora na votação aumenta a preocupação entre os profissionais, que afirmam depender da aprovação da proposta para assegurar previsibilidade nas relações de trabalho e na remuneração do frete.

Nos últimos anos, caminhoneiros têm reivindicado maior estabilidade nas regras que envolvem o transporte de cargas, apontando que mudanças frequentes ou indefinições legislativas afetam diretamente a renda da categoria.

A Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) informou que acompanha com preocupação a demora na votação da medida provisória e reconhece a insatisfação existente entre os profissionais do setor. Entretanto, a entidade afirmou que, até a última sexta-feira, sua posição era de priorizar o diálogo com o governo e com o Congresso Nacional.

Em nota, a confederação declarou:

“Quanto à decisão de eventual paralisação, é prerrogativa de sindicatos, a partir da convocação de assembleias em suas bases. À Confederação cabe dialogar com o Governo e com o Congresso e levar os pleitos da categoria às partes envolvidas, como tem feito desde o início da tramitação da MP.”

Com isso, a CNTA deixa claro que não é responsável pela convocação da mobilização nacional e que eventuais adesões dependerão da decisão de sindicatos e organizações locais.

Expectativa para os próximos dias

A proximidade do fim da validade da MP aumenta a pressão sobre o Senado. Caso a proposta não seja votada até 16 de julho, perderá eficácia, obrigando o Congresso a iniciar uma nova tramitação legislativa caso queira retomar o tema.

Enquanto isso, lideranças dos caminhoneiros prometem manter a mobilização para pressionar os parlamentares. A adesão ao movimento deve ser acompanhada ao longo desta segunda-feira, especialmente em regiões portuárias, que concentram grande fluxo de cargas destinadas ao mercado interno e à exportação.

O transporte rodoviário responde pela maior parte da movimentação de cargas no Brasil, tornando qualquer paralisação do setor um fator de atenção para a economia, a cadeia de abastecimento e a logística nacional.

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