Surto de ebola na República Democrática do Congo já matou quase mil pessoas, alerta OMS

Organização Mundial da Saúde afirma que doença avança em ritmo recorde no leste do país, enquanto conflitos e deslocamentos populacionais dificultam o controle da epidemia
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que o atual surto de ebola na República Democrática do Congo (RD Congo) já provocou quase mil mortes desde que foi declarado, em 15 de maio de 2026. De acordo com as autoridades de saúde do país, mais de 990 pessoas morreram e 2.423 casos da doença foram confirmados.

Segundo a OMS, a província de Ituri, localizada no nordeste da RD Congo, continua sendo o principal foco da epidemia, concentrando mais de 90% dos casos registrados e cerca de 80% das mortes.

Vírus avança para novas regiões

O gestor de incidentes da OMS, Thierno Baldé, informou que o vírus da variante Bundibugyo, responsável pelo atual surto, segue se espalhando para outras regiões do país.

As cinco províncias mais afetadas estão localizadas no leste da República Democrática do Congo, área marcada por conflitos armados, presença de grupos rebeldes e frequentes deslocamentos de populações. Esse cenário dificulta o acesso aos serviços de saúde e favorece a disseminação da doença.

De acordo com a OMS, já foram identificadas áreas com transmissão intensa, regiões onde o vírus continua avançando rapidamente e locais onde há sinais de estabilização das cadeias de transmissão. Apesar disso, a expansão da epidemia continua superando a capacidade de resposta dos serviços de saúde.

Crescimento é o mais rápido já registrado

A OMS afirma que este é o surto de ebola com crescimento mais acelerado já observado na República Democrática do Congo.

O vírus Bundibugyo, responsável pela atual epidemia, ainda não possui vacina nem tratamento específico aprovados internacionalmente, tornando o controle da doença ainda mais desafiador.

Equipes da organização continuam atuando junto às comunidades para incentivar a identificação precoce dos casos, o isolamento de pacientes, o rastreamento de contatos e o acompanhamento clínico das pessoas infectadas.

Na cidade de Mongbwalu, em Ituri, onde o surto foi detectado inicialmente, autoridades de saúde observaram alguns sinais de estabilização, embora a situação geral permaneça preocupante.

Doença altamente contagiosa

O ebola é uma doença viral grave transmitida pelo contato direto com sangue, fluidos corporais ou tecidos de pessoas infectadas ou falecidas em decorrência da enfermidade.

Os primeiros sintomas costumam incluir febre, dor de cabeça, dores musculares, fadiga intensa e mal-estar. Nos casos mais graves, a infecção pode evoluir para hemorragias internas e externas, insuficiência de múltiplos órgãos e morte.

A variante Bundibugyo já havia provocado surtos anteriores em 2007, em Uganda, e em 2012, na própria República Democrática do Congo. Nessas epidemias, a taxa de mortalidade ficou em torno de 30% dos casos registrados.

Preocupação internacional

A rápida expansão do surto tem mobilizado organismos internacionais e autoridades de saúde, que reforçam a necessidade de ampliar a vigilância epidemiológica, fortalecer a assistência médica e intensificar ações de prevenção para evitar que a doença alcance novas regiões.

Enquanto os esforços de contenção continuam, a OMS alerta que o cenário permanece crítico e exige resposta coordenada para impedir o agravamento da maior epidemia de ebola já registrada no país em termos de velocidade de propagação.

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